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BLOGUE 15 Maio, 2026 0 Comments

Castanheira de Pera | Documentário RTP | 1964

De quando em vez, gosto de mergulhar nos arquivos da RTP. Hoje trago o documentário da série “Terras de Portugal”, dedicado a Castanheira de Pera, transmitido originalmente no verão de 1964. É-nos apresentado como uma obra documental que combina a geografia, a cultura, a força económica e a singularidade do nosso concelho no contexto da província portuguesa. Produzido em plena década de 60, é um retrato oficial que reflete não só a visão de um Portugal pacato e laborioso, mas também insinua o esforço de projeção de um regime que desejava demonstrar estabilidade, ordem e progresso económico a partir do centro do país.

 

Praça da Sardinha – Castanheira de Pera 1964

 

Para um espetador de Castanheira de Pera, o filme ganha, naturalmente, um significado especial ao incluir referências específicas e imagens de locais e vivências que nos são tão familiares. Ao longo dos minutos, surgem no nosso ecrã as imponentes fábricas de lanifícios, que durante tantas décadas foram o coração pulsante da nossa economia local. É o retrato de um sítio com uma história profundamente ligada à tecelagem, que servia e vestia o país inteiro, e que simbolizava o engenho, a força e a resiliência da nossa terra. Ver aquelas imponentes chaminés a fumegar, sem ser IA, o movimento ritmado e mecânico dos teares e a agitação diária dos trabalhadores em 1964 é um momento arrepiante, é um testemunho visual de tradições industriais profundamente enraizadas neste vale da Vertente Sul da Serra da Lousã, revelando um orgulho coletivo pela tenacidade e pelo trabalho árduo destas gentes.

 

Mais à frente, a lente detém-se também no enquadramento paisagístico da vila, nas margens verdejantes da Ribeira de Pera, nas ruas calcetadas e na arquitetura típica daquela época. Aqui observamos um pequeno e precioso vislumbre do modo de vida das décadas passadas, sublinhado pela simplicidade, pela aparente tranquilidade quotidiana e por uma forte ligação à terra e às fábricas que sempre caracterizaram Castanheira de Pera. São imagens que apelam à minha memória familiar e à continuidade da nossa identidade enquanto comunidade. Quase que podemos imaginar os nossos avós a cruzar aquelas ruas, após o soar da sirene que marcava o fim de mais um longo turno nos teares.

 

Jardim Casa da Criança Rainha Dona Leonor – Castanheira de Pera 1964

 

Apesar de todo este fascínio cultural, saudosista e pitoresco, não posso, nem devemos ignorar que este documentário é também apresentado como uma subtil peça de propaganda ao regime do Estado Novo. Filmado em 1964, numa altura em que Portugal já se encontrava a braços com os sobressaltos da Guerra do Ultramar, esta obra da televisão estatal exalta a imagem de um país em perfeita harmonia, trabalhador e altamente disciplinado. Omite, de forma propositada, as restrições de liberdade, a dureza extrema e exigente do trabalho operário e as profundas desigualdades sociais que marcavam a realidade diária da maioria das famílias de então. Basta atentar na suposta “felicidade” estampada no rosto de muitos dos que aparecem nas imagens.

 

Este tipo de produção audiovisual visava mostrar um Portugal puramente produtivo e imune a convulsões políticas, escondendo a repressão e os limites rigorosos impostos às vozes dissonantes da sociedade. A narrativa construída, embalada pela cadência clássica do locutor e por uma banda sonora orquestral, é um reflexo claro de como o regime procurava projetar uma imagem controlada e idealizada da “província”, disfarçando-se de modernidade industrial num contexto de ditadura.

 

Praça do Visconde Nova Granada – Castanheira de Pera 1964

 

Ao mesmo tempo que estamos inegavelmente perante uma cápsula do tempo fascinante e repleta de detalhes históricos, sociológicos e culturais da nossa Castanheira de Pera, estamos também a ver um “veículo” de difusão ideológica que nos lembra da complexidade de interpretar o passado com uma visão crítica e informada. É essencial admirar a resiliência dos nossos antepassados ali retratados, mas sem romantizar a dureza do tempo em que viveram. Tal combinação de beleza, memória e controvérsia histórica faz deste documentário um material essencial para compreender as múltiplas camadas da nossa história e os desafios constantes de conciliar a memória afetiva com a verdade dos factos e o futuro da nossa terra.

 

Santo António da Neve – Castanheira de Pera 1964

 

Deixo a recomendação… vejam, recordem e reflitam…

 

Arquivos RTP -> Castanheira de Pera | Documentário RTP | 1964

 

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BLOGUE 1 Maio, 2026 0 Comments

Project Hail Mary: Livro e adaptação ao Cinema

Como fã assíduo de ficção científica, costumo iniciar a leitura de novos livros com natural curiosidade, mas também com algum ceticismo. No entanto, há histórias que nos prendem a atenção de forma imediata. “Project Hail Mary“, escrito por Andy Weir, foi uma dessas surpresas agradáveis. O autor, que já se tinha destacado com “O Marciano“, construiu aqui uma narrativa que combina suspense, uma dose equilibrada de humor e uma abordagem bastante fundamentada à ciência. A leitura cativou-me do início ao fim, mostrando uma história bem pensada sobre descoberta e cooperação.

 

A premissa central foi simples, mas muito eficaz. Acompanhamos Ryland Grace, o único sobrevivente de uma missão espacial de cujo sucesso depende a continuidade do nosso planeta. O obstáculo inicial é o facto de Ryland acordar a milhões de quilómetros de casa com uma profunda amnésia. Não sabe o seu nome, a sua profissão ou qual a verdadeira natureza da sua viagem. Com a companhia de apenas dois colegas de tripulação… falecidos, o protagonista tem de reconstruir a sua própria memória enquanto tenta desvendar como pode salvar a humanidade.

 

À medida que o seu passado regressa através de pequenos momentos de clareza, o personagem principal depara-se com um problema científico à escala global e com a dureza do isolamento no espaço. A evolução da história, especialmente quando o autor introduz novos elementos que nos fazem refletir sobre o nosso lugar no universo perante um desafio comum, torna a história difícil de largar. É um livro que vive da resolução lógica de problemas, algo que Weir sabe escrever e tornar acessível a quem não tem formação científica avançada, como é o meu caso.

 

Quando a adaptação cinematográfica foi anunciada, tive o habitual receio de quem gosta muito de um livro e teme ver a obra perder qualidade na passagem para o ecrã. Contudo, o filme cumpriu a promessa e não desiludiu. Realizado por Phil Lord e Christopher Miller, com argumento de Drew Goddard, a produção compreendeu a essência da história original e a ideia do autor. O resultado é um filme equilibrado, que respeita o material de origem sem perder a sua identidade enquanto obra de cinema.

 

A escolha do elenco revelou-se um dos pontos mais seguros da adaptação. Ryan Gosling assumiu o papel principal com bastante competência, conseguindo captar o pragmatismo e a vulnerabilidade que caracterizam Ryland Grace. É um desempenho sólido que, com naturalidade, vai na minha opinião, justificar a atenção e o facto de o filme poder vir a receber importantes prémios. Do lado técnico, o filme cumpre com rigor. O ambiente espacial ficou visualmente credível, enquanto a banda sonora acompanha de forma muito eficaz toda narrativa. No fundo, a adaptação de “Project Hail Mary” vai um pouco além da ficção científica tradicional. Acaba por ser um filme sobre a amizade, sobre a forma como lidamos com a solidão e sobre a coragem para fazer o que está certo em situações limite. Num panorama em que o cinema por vezes aposta em tons mais cínicos, esta história oferece uma perspetiva reconfortante, tratando-se de um trabalho de adaptação bastante competente.

 

Conseguir conjugar o lado técnico do livro de Andy Weir com a vertente humana das personagens foi um desafio considerável e conseguido. Na minha opinião, e olhando para os últimos anos do género de ficção científica, estamos perante o melhor e mais completo filme espacial desde o lançamento de “Interstellar“. É uma obra que faz justiça ao livro e que proporciona uma boa ida ao cinema. Fica a dica.

 

https://www.imdb.com/title/tt12042730 – Filme – Project Hail Mary

 

 

 

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BLOGUE 7 Abril, 2026 0 Comments

A Nikon e a exploração espacial da NASA

A minha relação com a Nikon é bem mais recente que a relação da Nikon com a exploração espacial. A diferença é enorme aliás, mais de 40 anos na verdade. A relação da Nikon com a exploração espacial remonta aos primórdios das missões tripuladas. Mais, a escolha da Nikon pela NASA, quer para a Estação Espacial Internacional (ISS) quer, mais recentemente, para a histórica missão Artemis II à Lua por exemplo, é o resultado de décadas de confiança, inovação e de uma capacidade ímpar para construir equipamento que resiste às condições mais extremas conhecidas pela humanidade.

A parceria começou na década de 1960. A NASA procurava equipamento fotográfico portátil capaz de suportar o ambiente rigoroso do espaço. A Nikon, com a sua reputação crescente em fiabilidade, foi selecionada como fabricante de câmaras de 35mm. Um dos primeiros e maiores desafios foi a lubrificação. No vácuo e sujeita a flutuações extremas de temperatura, a maioria dos lubrificantes evapora ou congela. A Nikon desenvolveu um lubrificante específico que não sofria os efeitos da brusca mudança de temperatura, da rápida aceleração ou do vácuo, um detalhe crucial que exemplifica o porquê de as câmaras Nikon terem estado a bordo de todas as missões espaciais tripuladas desde então.

Na ISS, por exemplo, as câmaras Nikon têm sido ferramentas de trabalho indispensáveis. Modelos como a Nikon F5 (usada desde 1999), a D2XS, a D4 e a robusta D5 têm sido utilizados diariamente. Não servem apenas para capturar fotografias espetaculares do nosso planeta e do cosmos, mas desempenham um papel vital na monitorização da própria estação. Os astronautas utilizam-nas para realizar inspeções visuais detalhadas dos painéis solares e do exterior da ISS, identificando necessidades de manutenção essenciais para a segurança da tripulação. A capacidade dos sensores Full Frame (FX) da Nikon lidarem com contrastes extremos e condições de pouca luz tornou-as na escolha óbvia.

A missão Artemis II, que levou astronautas a orbitar a Lua pela primeira vez em mais de 50 anos, contou uma vez mais com tecnologia Nikon. A NASA decidiu incorporar um misto de equipamentos comprovados e de última geração para documentar esta viagem histórica.

Embora tenha havido debates iniciais sobre a inclusão das confiáveis e já certificadas Nikon D5 DSLR, conhecidas pela sua robustez e por não possuírem lubrificantes ou componentes que reajam no ambiente da nave, a escolha final para a vanguarda da fotografia lunar recaiu sobre a Nikon Z9. A Z9, a câmara mirrorless de topo da Nikon, foi alvo de um Acordo da Lei Espacial (Space Act Agreement) com a NASA para apoiar a missão.

Para enfrentar os rigores do espaço, a Z9 a bordo da cápsula Orion que conta com um total de 32 câmaras, foi especialmente adaptada. A câmara e as lentes NIKKOR Z selecionadas integram o “HULC” (Handheld Universal Lunar Camera), um sistema que inclui um revestimento térmico especial desenhado para as proteger das imensas oscilações térmicas e da radiação intensa no espaço.


Porquê a Nikon? A resposta reside numa palavra e que me enche de orgulho pois sou utilizador da marca. Fiabilidade inquestionável. Numa missão espacial, onde o custo do erro é incalculável e o espaço de armazenamento é valioso, o equipamento não pode falhar. A NASA não escolhe a máquina fotográfica apenas pela sua resolução, mas pela sua capacidade de operar de forma consistente, quer seja no interior pressurizado da cápsula Orion ou nas condições extremas do vazio espacial, como eventuais EVAs ou no uso externo. O histórico da Nikon na ISS provou, década após década, que as suas câmaras cumprem os exigentes requisitos de engenharia.

A missão Artemis II não testou apenas os limites da exploração humana, testou também a capacidade humana de partilhar a experiência visual da nossa viagem de volta à Lua. E para garantir que a humanidade tem o melhor lugar na primeira fila, a NASA confiou, mais uma vez, na engenharia óptica de precisão da Nikon.

 

Últimas Imagens vindas da Artemis 2 através das objetivas da Nikon: Créditos NASA:







 

 

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BLOGUE 19 Março, 2026 0 Comments

O Imperativo da Coesão Territorial e da Descentralização em Portugal

Basta um olhar atento neste mapa que acompanha este texto para compreendermos, com uma clareza dolorosa, a assimetria estrutural que define o Portugal contemporâneo. Observamos um país que, demográfica e economicamente, se encontra perigosamente inclinado para o litoral, com uma concentração esmagadora nas áreas metropolitanas. Não é novidade, mas quando constatamos que o distrito de Lisboa concentra 21,9% da população e o do Porto 17,3%, percebemos que quase 40% dos portugueses vivem numa ínfima parte do nosso território. Se a estes somarmos Setúbal (8,4%), Braga (8,1%) e Aveiro (6,8%), o cenário agrava-se. Já no extremo oposto, o interior profundo sangra demograficamente, com Portalegre a reter apenas 1,0%, Bragança 1,1% e a Guarda 1,3% da nossa população. Esta não é apenas uma curiosidade estatística, é o retrato de um modelo de desenvolvimento esgotado que exige uma reflexão profunda sobre a urgência da coesão territorial e da descentralização.

Existe um paradoxo cruel e persistente na forma como temos gerido o nosso desenvolvimento ao longo das últimas décadas. A Europa financia a coesão, mas Portugal centraliza. Desde a nossa adesão ao projeto europeu, o país tem sido recetor de milhares de milhões de euros em fundos estruturais e de coesão, cujo propósito primordial é, precisamente, esbater as desigualdades regionais e harmonizar o nível de vida em todo o território. Contudo, a arquitetura do Estado português, profundamente centralista, tem atuado como um funil. Os fundos chegam, desenham-se autoestradas e infraestruturas, mas o poder de decisão, a atração de talento, as sedes das grandes empresas e a máquina burocrática teimam em concentrar-se na capital. Criámos um país a duas velocidades, onde o investimento europeu, desenhado para unir, acaba muitas vezes por ser absorvido por uma engrenagem que perpetua a atração gravitacional do centro em detrimento da periferia.

Para invertermos esta marcha rumo a este esvaziamento do interior, a desburocratização assume-se como um passo absolutamente vital. O peso de um Estado centralizado traduz-se, invariavelmente, numa máquina administrativa lenta, cega às especificidades locais e asfixiante para quem tenta empreender fora dos grandes centros urbanos. Estamos a ver uma vez mais com a Tempestade Kristin, já o tínhamos visto com os incêndios de 2017. Um investidor que queira fixar uma unidade industrial em Beja, que alberga apenas 1,4% da população, ou um jovem agricultor que pretenda inovar em Vila Real (1,7%), não podem estar sujeitos a processos de licenciamento e aprovação que aguardam meses por um carimbo num qualquer gabinete em Lisboa, despachado por quem muitas vezes desconhece a realidade daquele território. Desburocratizar significa transferir competências, simplificar processos e confiar na capacidade de gestão de quem está no terreno.

Esta confiança leva-nos diretamente à imperativa valorização das identidades territoriais locais. O poder local democrático, materializado nos Municípios e nas Juntas de Freguesia, é a espinha dorsal da nossa democracia de proximidade. São os presidentes de junta e de câmara quem primeiro conhece as carências das suas populações, quem identifica o potencial económico latente e quem lida diretamente com os desafios diários dos cidadãos. Descentralizar não é apenas transferir encargos, é transferir os respetivos recursos financeiros e o poder de decisão para estas autarquias. A verdadeira descentralização reconhece que Portugal não é um bloco homogéneo. A identidade territorial de Trás-os-Montes exige políticas agrícolas e de fixação populacional radicalmente diferentes das estratégias de gestão turística necessárias no Algarve, que representa 4,5% da população. Reconhecer e potenciar estas identidades é a chave para criar polos de desenvolvimento autónomos e sustentáveis.

Quando alargamos o olhar para o contexto europeu, percebemos rapidamente que as nações mais prósperas e igualitárias são, regra geral, aquelas que apostaram numa forte descentralização e na autonomia regional. Na Alemanha, em Espanha ou nos países nórdicos, as regiões são verdadeiros motores de competitividade. No mercado global atual, já não são apenas os países que competem entre si pela atração de investimento e talento, mas sim as regiões. A competitividade territorial de Portugal está severamente manietada pela nossa incapacidade de libertar o potencial das nossas sub-regiões. Pessoalmente, acho que o comboio das Regiões já passou, no entanto temos as CIM’s e até já se fala nos Governos Civis de outrora. Ora, se estas entidades tivessem a autonomia e os instrumentos fiscais e administrativos adequados, poderiam desenhar estratégias agressivas e altamente especializadas para captar investimento estrangeiro, criar clusters tecnológicos ligados às suas universidades locais e desenvolver uma marca territorial forte no espaço europeu. Não esquecendo a indústria e a agricultura.

Promover a coesão territorial não é, de forma alguma, e quero deixar claro isto, um ato de caridade do litoral para com o interior. É uma questão de sobrevivência nacional e de inteligência estratégica. A macrocefalia de Lisboa e Porto está a gerar custos sociais e económicos insustentáveis, visíveis na crise dramática da habitação, no colapso das infraestruturas de transporte urbano e na perda de qualidade de vida nestas metrópoles. Ao mesmo tempo, o abandono do interior resulta no desaproveitamento de recursos naturais, na desertificação humana e na terrível vulnerabilidade aos incêndios florestais, como tragicamente testemunhamos ano após ano.

Olhar para este mapa devia-nos provocar um sobressalto cívico. O futuro de Portugal exige uma coragem reformista que rompa com séculos de centralismo. Precisamos de um Estado mais ágil, que confie nos seus Municípios e Juntas de Freguesia, que celebre a diversidade da sua identidade territorial e que utilize os fundos europeus não para “engordar” ainda mais as áreas urbanos já saturadas, mas para “irrigar” todo o país. Só através de uma verdadeira competitividade territorial e de uma descentralização efetiva poderemos endireitar este país inclinado, construindo um Portugal onde nascer em Portalegre, Évora, Bragança ou Castanheira de Pera, ofereça exatamente as mesmas oportunidades de futuro que nascer nas margens onde desaguam o Tejo ou o Douro.

 

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BLOGUE 7 Março, 2026 0 Comments

Poeiras do Saara voltam a ensombrar o céu

Começo por dizer que este texto vem com alguns dias de atraso. Ainda assim, lembrar que quem olhou para o céu principalmente no dia 4 de março, reparou que o azul deu lugar a um tom mais baço, por vezes até amarelado. Esta alteração não foi uma simples ilusão de ótica, mas o resultado de uma colossal nuvem de poeiras oriunda do deserto do Saara que, neste início de março, se encontra a atravessar o sudoeste europeu. Como podem ver na imagem impressionante captada pelo Copernicus Atmosphere Monitoring Service (CAMS) no dia 5 de março, esta pluma de pó estende-se desde a costa do Norte de África, varrendo com intensidade países como Portugal, Espanha, França e Itália, e alcançando até o Reino Unido. As previsões mais recentes indicam mesmo que esta massa continuará a sua viagem em direção à Escandinávia nos próximos dias.

Embora este fenómeno natural não seja propriamente uma novidade para nós, a escala e a densidade desta incursão em particular merecem a nossa atenção e algum cuidado. Esta invasão de poeiras tem provocado uma degradação severa da qualidade do ar, com as concentrações de partículas inaláveis (PM10) a ultrapassarem de forma clara os limites de segurança estabelecidos pela União Europeia. Estas partículas microscópicas, quando inaladas, podem ter efeitos prejudiciais na nossa saúde, o que levou já os serviços meteorológicos nacionais a emitirem avisos à população.

Neste contexto, é imperativo usar de bom senso, uma regra de ouro que procuro sempre defender por aqui. Se a literacia digital ensina-nos a filtrar a informação que consumimos online, a literacia sobre saúde e ambiente ensina-nos a agir de forma preventiva perante as condições atmosféricas. As recomendações são claras, os grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios crónicos, devem limitar as suas atividades no exterior enquanto esta pluma pairar sobre nós. É importante mantermos as janelas fechadas sempre que possível e acompanharmos as atualizações dos nossos serviços de meteorologia. No fundo, é uma questão de lidarmos com inteligência com mais este capricho da natureza.

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BLOGUE 18 Fevereiro, 2026 0 Comments

Literacia Digital, entre a Ligação e a Compreensão

Além da Literacia Digital…

Vivemos tempos paradoxais no Mundo em geral e em Portugal em particular. Ao mesmo tempo que começo a escrever estas primeiras frases, penso de imediato que nunca como antes estivemos tão conectados, com taxas de penetração de internet e utilização de dispositivos móveis que rivalizam com as economias mais desenvolvidas. No entanto, esta facilidade de acesso à informação não se tem traduzido automaticamente em conhecimento, e muito menos em sabedoria. O desafio premente que enfrentamos hoje não é o da exclusão digital no seu sentido mais técnico, mas sim no de uma iliteracia funcional no ambiente online que deixa vastas franjas da população, desde os jovens aos mais idosos, vulneráveis à desinformação. O combate a este fenómeno exige uma mudança de paradigma. Precisamos de deixar de ver o digital apenas como uma ferramenta utilitária e passar a encará-lo como um espaço cívico onde a verdade e a mentira competem ferozmente pelo atrair de atenção.

A desinformação, entendida como uma narrativa comprovadamente falsa ou enganosa criada e disseminada para obter vantagens económicas, políticas ou para enganar deliberadamente o público, tornou-se uma ameaça sistémica à nossa democracia. Em Portugal, onde o consumo de notícias através das redes sociais é elevado, o perigo reside na velocidade com que o falso se propaga. É fundamental distinguir, como nos ensinam as orientações europeias para a educação, entre a informação errada, partilhada sem intenção de dolo, e a desinformação calculada, que visa manipular opiniões, emoções e ações. Esta distinção não é meramente académica. Define a forma como devemos educar as novas gerações. Não basta ensinar usar um computador, é imperativo ensinar a questionar o que aparece nos aparece nos ecrãs. A literacia digital deve ser compreendida como a capacidade para aceder, gerir, compreender, integrar, comunicar, avaliar, criar e divulgar informações de forma segura e adequada.

O sistema educativo português tem feito esforços interessantes para integrar estas competências no currículo, nomeadamente através da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento e de referenciais emanados pela Direção-Geral da Educação. No entanto, a tarefa, obviamente é hercúlea. Os professores, muitas vezes sobrecarregados, são chamados a ser a primeira linha de defesa contra uma indústria de desinformação que utiliza algoritmos sofisticados para criar câmaras de eco e bolhas de filtro *definição no final do artigo. Estas bolhas reforçam crenças preexistentes e isolam os indivíduos de opiniões contrárias, polarizando a sociedade. A escola deve ser o sítio onde se furam estas bolhas, promovendo o contacto com o contraditório e o desenvolvimento do pensamento crítico. Como sugerem os especialistas, técnicas como a “leitura lateral”, verificar o que outras fontes dizem sobre o mesmo tema  e a “desmistificação prévia”, que vacina os alunos contra as táticas de manipulação antes que eles sejam expostos a elas, são essenciais na “caixa de ferramentas” pedagógica moderna.

Contudo, não podemos depositar toda a responsabilidade na escola. A literacia digital enfrenta desafios semelhantes aos da literacia financeira, onde estudos indicam lacunas significativas no conhecimento da população adulta. Tal como é necessário saber gerir o orçamento familiar para não cair em fraudes financeiras, é crucial saber gerir a dieta informativa para não cair em fraudes intelectuais ou ideológicas. A desinformação tem também uma componente económica forte. Os criadores de “fake news” lucram com cada clique, explorando as nossas emoções mais básicas como o medo ou a indignação. Se os portugueses não compreenderem que a sua atenção é uma moeda de troca, continuarão a ser peões num jogo de xadrez onde a verdade é a primeira baixa.

O futuro do combate à desinformação em Portugal passa, inevitavelmente, pela capacitação transversal da sociedade. Precisamos de programas de literacia digital que cheguem aos seniores, frequentemente alvos de burlas online e de desinformação política, e que continuem a reforçar a resiliência dos jovens. A tecnologia, com a ascensão da inteligência artificial e das “deepfakes“, vídeos ou áudios criados por computador que imitam pessoas reais, tornam cada vez mais difícil distinguir o real do “photoshop”. Neste cenário, o ceticismo saudável e a verificação de factos deixarão de ser competências jornalísticas para se tornarem deveres de cidadania.

Esta guerra pela verdade terá de ser ganha com educação, com o saber e com legitimidade intelectual de cada um de nós. Temos as infraestruturas e temos os diagnósticos feitos. O que necessitamos é de uma mobilização para a literacia digital, encarando-a como um desígnio estratégico. Só assim poderemos garantir que a revolução digital serve para nos empoderar enquanto cidadãos e fortalecer a democracia, não manipulando, não dividindo.

A literacia digital não é apenas sobre saber mexer nas máquinas com ecrãs, é sobre saber pensar num mundo dominado por elas. É urgente formar cidadãos digitais que participem de forma ativa, contínua e responsável, tanto online como offline, protegendo os valores democráticos que demorámos tanto a conquistar.

 

…..

 

CÃMARAS DE ECO E BOLHAS DE FILTRO

BOLHAS DE FILTRO
Recolha de Dados: As plataformas registam cada interação: cliques, gostos (likes), tempo de visualização, partilhas e pesquisas.
Análise de Padrões: A inteligência artificial (IA) usa redes neuronais para prever os teus gostos com base em dados passados.
Filtragem de Conteúdo: O algoritmo oculta conteúdos que considera que não lhe interessam ou com os quais discorda, priorizando apenas o que confirma as tuas preferências.
Reforço contínuo: Quanto mais interage com um determinado tipo de conteúdo, mais a plataforma o alimenta, tornando a bolha mais estreita.

CÂMARA DE ECO
Viés de Confirmação: Os utilizadores tendem a procurar informações que confirmem as suas crenças preexistentes.
Seleção de Amigos: As pessoas tendem a seguir e interagir com quem partilha opiniões semelhantes, criando uma “rede entrelaçada” de pensamentos homogéneos.
Efeito de Ressonância: As opiniões divergentes são excluídas ou silenciadas, fazendo com que as mesmas ideias sejam repetidas e amplificadas, como um eco.

RESULTADO
Polarização: Ambientes online onde pontos de vista divergentes não têm espaço, impulsionando assim o extremismo.
Limitação da Realidade: Os utilizadores recebem uma percepção limitada da realidade, restringindo a diversidade informativa.
Criação de Realidades Paralelas: Diferentes grupos de utilizadores vivem em mundos informacionais distintos, dificultando o consenso social.

 

Leia também:

“Uma bateria de “Peso” na Inovação e no Futuro da Energia”
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BLOGUE 11 Fevereiro, 2026 0 Comments

Uma bateria de “Peso” na Inovação e no Futuro da Energia

Recentemente, deparei-me com uma notícia que, à primeira vista, parece saída de um filme de ficção científica, mas que é a mais pura realidade. E na China que já não admira. Refiro-me a uma estrutura colossal, situada em Rudong, perto de Xangai, que se assemelha a um gigantesco edifício de betão, mas que na verdade não o é. Trata-se da primeira bateria gravitacional à escala comercial do mundo, um projeto da empresa Energy Vault que promete revolucionar a forma como armazenamos energia renovável. Este desenvolvimento tecnológico fez-me refletir sobre o caminho que estamos a traçar na transição energética, um percurso repleto de boas intenções, mas também de contradições que merecem ser escrutinadas com atenção.

O conceito por trás desta “bateria” é, na verdade, baseada numa física surpreendentemente simples, a mesma que Isaac Newton descreveu há séculos. Ao contrário das baterias químicas que temos nos nossos telemóveis ou nos carros elétricos, este sistema não depende de iões de lítio ou reações complexas. O seu funcionamento baseia-se na energia potencial e cinética ou seja, quando há excesso de produção de energia eólica ou solar na rede, o sistema utiliza essa eletricidade para erguer blocos maciços, feitos de resíduos comprimidos, até ao topo da estrutura. Essa energia fica ali “guardada” sob a forma de altura. Quando a rede precisa de eletricidade, os blocos são largados de forma controlada, acionando geradores através da força da gravidade. É uma ideia engenhosa pela sua simplicidade e durabilidade, contornando a degradação típica das baterias convencionais que perdem capacidade a cada ciclo de carga e descarga.

Esta inovação leva-me invariavelmente a pensar no atual paradigma da mobilidade elétrica, um tema sobre o qual mantenho uma certa relutância, que não escondo. Embora nos vendam a ideia de que o futuro é puramente elétrico e a bateria de lítio é a salvação, tenho sérias dúvidas sobre a sustentabilidade a longo prazo deste modelo para o transporte individual. A extração de lítio e cobalto acarreta custos ambientais pesadíssimos, como temos visto em Portugal, muitas vezes ignorados na equação final da “pegada verde”. É por isso que continuo a defender que, para a mobilidade automóvel, o verdadeiro futuro reside no hidrogénio. O hidrogénio oferece uma densidade energética e uma versatilidade que as baterias atuais dificilmente conseguirão igualar sem tornar os veículos excessivamente pesados e dependentes de matérias-primas escassas. Ver um projeto como este na China, focado em armazenamento estacionário e pesado, reforça a minha convicção de que cada tecnologia tem o seu lugar. A gravidade e a física para a rede elétrica, o hidrogénio para nos movermos.

Sou, sem qualquer dúvida, um apologista das energias verdes. É inegável que precisamos de abandonar os combustíveis fósseis e abraçar fontes limpas. No entanto, esta transição não pode ser feita a qualquer custo, nem de forma cega. Defendo que as energias renováveis devem ser exploradas convenientemente, respeitando o meio ambiente que supostamente visam proteger. Vejo com enorme tristeza e incompreensão projetos que abatem hectares de floresta para implantar parques solares ou eólicos. Não faz qualquer sentido destruir os pulmões do planeta, as árvores que naturalmente capturam carbono, para instalar painéis que visam reduzir o carbono. É um contrassenso ecológico. A tecnologia deve integrar-se na paisagem e no ecossistema, não substituí-lo ou destruí-lo.

Neste aspeto, a bateria gravitacional de Rudong apresenta um ponto interessante. Segundo os promotores, os blocos utilizados não são de betão fresco, mas sim fabricados a partir de resíduos locais e terra, o que sugere uma preocupação com a economia circular que raramente vemos na produção de baterias químicas. Se conseguirmos armazenar a energia do vento e do sol em edifícios que funcionam como pilhas mecânicas, evitamos a mineração desenfreada de metais raros. É uma abordagem mais “bruta”, mas talvez mais honesta e alinhada com os ciclos naturais do que a química sintética altamente processada. No entanto, a escala destes edifícios também levanta questões sobre o impacto visual e a ocupação do solo, relembrando-nos que não há soluções mágicas, apenas compromissos que temos de gerir com sensatez.

O que este projeto demonstra é que a inovação está viva e que não temos de ficar presos aos dogmas atuais da tecnologia. A bateria de Rudong, com a sua capacidade de 100 MWh, prova que é possível pensar “fora da caixa”, ou neste caso, pensar em empilhar caixas para resolver o problema da intermitência das renováveis. Se conseguirmos replicar este tipo de armazenamento limpo e combiná-lo com uma aposta séria no hidrogénio para os transportes, estaremos a caminhar para um futuro verdadeiramente sustentável. Um futuro onde não precisamos de escolher entre ter energia ou ter florestas, e onde a tecnologia serve o homem e a natureza, em vez de se servir deles.

Em conclusão, olho para esta bateria gravitacional com um otimismo cauteloso. É um passo na direção certa para a estabilização das redes elétricas, permitindo-nos aproveitar melhor o sol e o vento sem depender de minerais de conflito. Mas serve também como um lembrete de que a “energia verde” só é verdadeiramente verde se for implementada com inteligência e respeito pelo território. Continuarei a observar estes desenvolvimentos, mantendo a minha defesa pelo hidrogénio nos automóveis e pela preservação das nossas árvores, pois acredito que a verdadeira inovação não está apenas na engenharia das máquinas, mas na sabedoria das nossas escolhas.

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BLOGUE 31 Dezembro, 2025 0 Comments

Cenário gelado, coração quente e alma renovada

Cenário gelado, coração quente e alma renovada.
Que este novo ano seja um quadro em tons de branco, mas pronto para ser pincelado com as cores mais vibrantes das vossas vidas! Que a pureza desta neve e o aconchego do inverno tragam serenidade e vos preparem para novos começos.
Feliz Ano Novo, são os votos do vosso amigo Jorge Nunes!
Santo António da Neve, Castanheira de Pera
dez/25

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BLOGUE 21 Novembro, 2025 0 Comments

O “Pontão” do Coentral em 1944

Coentral… há imagens que transcendem o simples registo visual. Há imagens que se tornam janelas capazes de nos transportar para um tempo que já não existe, devolvendo-nos, mesmo que por instantes, ao pulsar de um modo de vida perdido. Esta imagem de 1944 mostra-nos o encontro da Ribeira do Cavalete, também conhecida como Ribeira do Vale dos Lobos, com a Ribeira do Coentral. Captada numa época em que o quotidiano se moldava ao ritmo da terra, da água, do sol e das mãos humanas. Esta fotografia torna-se mais do que uma recordação, é uma peça emocional e histórica do património do Coentral e de Castanheira de Pera.

 

O “pontão”, situa-se entre o Coentral Grande e o Coentral “Pequeno”, o Coentral das Barreiras e o Coentral do Fojo. Para a escola primária, a pé, muita travessia sobre a ribeira nesta ponte. Nesta imagem, pelo seu enquadramento, é-nos revelado um cenário que, para muitos habitantes e descendentes, só existia em memórias contadas ou livros.

 

A década de 40 foi uma época de trabalho árduo. As famílias do Coentral, tal como de tantas aldeias serranas, viviam essencialmente da agricultura, da pastorícia e da força do seu próprio engenho. Os dias eram ditados pela necessidade de aproveitar ao máximo cada recurso. A água para mover os moinhos, as encostas para o pasto, as pedras para erguer abrigos, delimitar os terrenos e talvez os fojos. Não havia excessos, havia apenas o necessário. Mas havia, sobretudo, uma ligação profunda à paisagem, porque era dela que nascia tudo o que sustentava a vida no Coentral.

 

Nesta fotografia, essa ligação está impressa em cada detalhe. O caminho ainda em pedra, o pontão robusto construído também em pedra, ainda sem alcatrão, os muros que dividiam os campos, o pequeno moinho e a casa hoje reconstruída. Tudo isto compõe um retrato fiel da ruralidade serrana de então. São elementos que nos falam de uma forma de viver que dependia da proximidade, da entreajuda e do conhecimento transmitido de geração em geração.

 

Um dos aspectos mais marcantes desta imagem é precisamente aquilo que não está nela. O moinho em perfeitas condições, elemento que sublinha a pureza da paisagem original da época. Em 1944, a interação humana com o território era funcional. O que vemos nesta imagem é uma terra quase intocada, nem a pequena pedreira vemos na imagem. A intervenção humana limitava-se ao essencial, aos caminhos, muros, abrigos e pequenas estruturas de apoio ao trabalho agrícola e à circulação como a Selada do Cavalete.

Se hoje a existência da pequena pedreira faz parte da memória um pouco mais recente, esta fotografia recorda-nos que houve um tempo em que tudo era mais silencioso, mais orgânico e mais natural. E é justamente essa pureza que desperta em nós um sentimento nostálgico, mesmo para quem nunca viveu nesta época. É um apelo da autenticidade.

 

A casa que surge na fotografia, hoje está ainda íntegra e bem cuidada, é um símbolo de resiliência e de uma migração contemporânea. Representa o mesmo espírito de funcionalidade. Não eram construções pensadas para impressionar, mas para resistir ao clima e ao tempo, feitas em pedra local, integradas de forma harmoniosa na paisagem. Já os moinhos eram centros vitais da comunidade. Eram nos moinhos que os cereais se transformavam em farinha, e era também ali que as pessoas se encontravam, trocavam notícias, aguardavam a sua vez, partilhavam a vida. Ver o moinho ainda operacional em 1944 reforça a importância social que este espaço teve durante décadas. Hoje estão praticamente todos em ruínas. Mas há ainda uma presença silenciosa, a ruína na Selada do Cavalete, claramente visível na fotografia e hoje completamente desaparecida. Restam-lhe apenas sombras na memória coletiva.

 

O verdadeiro poder desta imagem reside na sua capacidade de nos permitir ver um local que já não existe aos nossos olhos de hoje. Esta imagem não só documenta uma paisagem, como preserva um fragmento inteiro de identidade cultural com mais de 80 anos. É uma âncora que liga o presente ao passado, uma oportunidade de contemplar, com profundidade, a evolução de uma comunidade e do seu território.

 

Há algo de profundamente humano na forma como percebemos fotografias antigas. É como se tocássemos o tempo, num tempo que alguém também o congelou. Esta imagem, captada numa era em que poucas pessoas tinham acesso a máquinas fotográficas, tem ainda mais valor precisamente por ser rara. Não foi tirada como um ato banal, mas sim como algo excecional. E, por isso, hoje tem a capacidade de nos emocionar, de nos fazer refletir e de nos devolver, mesmo que por alguns instantes, ao silêncio de uma época e ao ritmo lento de uma época.

 

Parabéns ao autor, Carvalho 1944

 

 

Leia também:

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BLOGUE 19 Agosto, 2025 0 Comments

Dia Mundial da Fotografia e o poder de congelar o tempo

Consigo olhar para esta fotografia de um pôr do sol e pensar imediatamente no motivo pelo qual, ano após ano, continuo a agarrar na máquina fotográfia. No fundo, a fotografia é o único instrumento capaz de congelar o tempo. E se hoje celebramos o Dia Mundial da Fotografia, é porque há algo de universal e eterno neste gesto tão simples de carregar no botão e registar um ínfimo instante. Mas será que é assim tão simples?

Vivemos numa era em que fotografar é quase um reflexo involuntário. Todos nós, a qualquer momento, pegamos num telemóvel no bolso pronto para eternizar uma saída em família, um concerto ou festa da aldeia ou até mesmo uma sobremesa num restaurante. Nunca se fotografou tanto. Mas paradoxalmente, penso que também nunca se olhou tão pouco para as fotografias. O volume é esmagador, o consumo é efémero, e a maioria das imagens perdem-se em pastas digitais, em cartões, e até em feeds de redes sociais. Às vezes mesmo em backups na nuvem que por vezes até me esqueço que estão lá.

É por isso que este simples pôr do sol, captado em toda a sua intensidade de cores e contrastes, me faz pensar que a fotografia só cumpre o seu verdadeiro papel quando nos obriga a congelar no tempo. Quando nos confronta. Quando nos pede que deixemos de correr para olhar, de facto, para o que temos à nossa frente. Sonhar acordado.

 

Estamos numa era tecnológica, acelerada, marcada por inteligência artificial, algoritmos e um volume de dados que desafia qualquer noção tradicional de memória. E neste turbilhão tecnológico, a fotografia tem um papel crucial pois acaba por ser a testemunha silenciosa deste nosso novo tempo.

Um pôr do sol não é apenas a luz a desaparecer no horizonte. É a prova de que estivemos ali, de que respirámos aquele ar, de que nos deixámos tocar por aquela cor. Uma fotografia de rua não é apenas uma multidão apressada, mas um retrato social de como vivemos nos dias de hoje. Uma fotografia de família não é apenas a soma de rostos, mas um acumular do nosso crescimento e da nossa identidade coletiva.

Neste sentido, fotografar em 2025 é muito mais do que uma atividade artística ou técnica. É uma forma de resistir ao esquecimento. É afirmar que isto aconteceu, isto existiu, eu estive aqui. Isto apesar da maioria das vezes nem aparecer na fotografia…

 

Olhando para o futuro, não posso deixar de pensar no dilema em que nos encontramos. Por um lado, temos a banalização da fotografia, essa avalanche de imagens produzidas todos os dias que acaba por lhes retirar valor. Por outro, temos a oportunidade única de registar o mundo e o que nos rodeia como nunca.

É aqui que entra a diferença entre fotografar e fazer uma fotografia. Fotografar é disparar sem pensar, é acumular ficheiros sem qualquer tipo de filtros. Fazer uma fotografia é olhar com intenção, escolher o enquadramento, sentir a luz, esperar pelo momento. É aquilo que distingue o instante banal da memória eterna.

No futuro, imagino que a fotografia terá de se reinventar. Já vemos inteligência artificial a gerar imagens hiper-realistas que nunca existiram. Já vemos algoritmos a manipular rostos, cenários e emoções. E talvez estejamos a caminhar para um tempo em que será cada vez mais difícil distinguir o que foi captado do que foi inventado. Mas é precisamente aí que a fotografia irá ganhar ainda mais importância porque haverá sempre algo insubstituível na honestidade de um clique, na verdade de um instante não encenado. A alma da fotografia.

 

Não quero, no entanto, tornar este artigo num manifesto pesado. Porque a fotografia também é leveza, também é descontração. Quantos de nós não temos no telemóvel aquela fotografia desfocada, mal enquadrada, mas que nos arranca uma gargalhada sempre que a vemos? Quantos de nós não guardamos imagens aparentemente imperfeitas, mas que carregam o peso das nossas melhores memórias?

É este lado humano, imperfeito, que me faz acreditar que a fotografia nunca perderá a sua relevância. Mesmo que um dia as máquinas consigam criar imagens perfeitas, já o fazem aliás,  de uma beleza calculada ao milímetro, haverá sempre espaço para aquela fotografia tremida, embaçada ou para aquele pôr do sol com as cores ligeiramente estouradas, mas que nos devolve a emoção de estarmos vivos naquele momento.

 

No Dia Mundial da Fotografia, a minha opinião é clara. Necessitamos de reaprender a dar valor às imagens. Menos quantidade, mais intenção. Menos pressa, mais contemplação. Não importa se fotografamos com uma DSLR topo de gama em RAW ou com um simples smartphone em JPEG. O que importa é o olhar que levamos connosco.

 

A fotografia é tanto técnica como emoção, tanto memória como criação. É arquivo e é poesia. É o reflexo do que fomos e a promessa do que ainda poderemos ser.

 

Enquanto existir um pôr do sol, como o da fotografia que me inspirou a escrever estas linhas, haverá sempre alguém a querer pará-lo no tempo. E enquanto houver alguém disposto a fazer isso, a fotografia continuará a ser o idioma universal que une gerações, geografias e culturas.

Porque no fim, cada fotografia é um testemunho, uma pergunta e uma resposta. E no futuro que se avizinha, cheio de incertezas digitais, essa será talvez a maior das nossas certezas, a de que a fotografia nunca deixará de ser… necessária.

 

Leia também:

“Porque fotografo em formato RAW?”
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https://www.jorgenunes.net/porque-fotografo-em-formato-raw/

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