7 Abril, 2026 0 Comments

A Nikon e a exploração espacial da NASA

A minha relação com a Nikon é bem mais recente que a relação da Nikon com a exploração espacial. A diferença é enorme aliás, mais de 40 anos na verdade. A relação da Nikon com a exploração espacial remonta aos primórdios das missões tripuladas. Mais, a escolha da Nikon pela NASA, quer para a Estação Espacial Internacional (ISS) quer, mais recentemente, para a histórica missão Artemis II à Lua por exemplo, é o resultado de décadas de confiança, inovação e de uma capacidade ímpar para construir equipamento que resiste às condições mais extremas conhecidas pela humanidade.

A parceria começou na década de 1960. A NASA procurava equipamento fotográfico portátil capaz de suportar o ambiente rigoroso do espaço. A Nikon, com a sua reputação crescente em fiabilidade, foi selecionada como fabricante de câmaras de 35mm. Um dos primeiros e maiores desafios foi a lubrificação. No vácuo e sujeita a flutuações extremas de temperatura, a maioria dos lubrificantes evapora ou congela. A Nikon desenvolveu um lubrificante específico que não sofria os efeitos da brusca mudança de temperatura, da rápida aceleração ou do vácuo, um detalhe crucial que exemplifica o porquê de as câmaras Nikon terem estado a bordo de todas as missões espaciais tripuladas desde então.

Na ISS, por exemplo, as câmaras Nikon têm sido ferramentas de trabalho indispensáveis. Modelos como a Nikon F5 (usada desde 1999), a D2XS, a D4 e a robusta D5 têm sido utilizados diariamente. Não servem apenas para capturar fotografias espetaculares do nosso planeta e do cosmos, mas desempenham um papel vital na monitorização da própria estação. Os astronautas utilizam-nas para realizar inspeções visuais detalhadas dos painéis solares e do exterior da ISS, identificando necessidades de manutenção essenciais para a segurança da tripulação. A capacidade dos sensores Full Frame (FX) da Nikon lidarem com contrastes extremos e condições de pouca luz tornou-as na escolha óbvia.

A missão Artemis II, que levou astronautas a orbitar a Lua pela primeira vez em mais de 50 anos, contou uma vez mais com tecnologia Nikon. A NASA decidiu incorporar um misto de equipamentos comprovados e de última geração para documentar esta viagem histórica.

Embora tenha havido debates iniciais sobre a inclusão das confiáveis e já certificadas Nikon D5 DSLR, conhecidas pela sua robustez e por não possuírem lubrificantes ou componentes que reajam no ambiente da nave, a escolha final para a vanguarda da fotografia lunar recaiu sobre a Nikon Z9. A Z9, a câmara mirrorless de topo da Nikon, foi alvo de um Acordo da Lei Espacial (Space Act Agreement) com a NASA para apoiar a missão.

Para enfrentar os rigores do espaço, a Z9 a bordo da cápsula Orion que conta com um total de 32 câmaras, foi especialmente adaptada. A câmara e as lentes NIKKOR Z selecionadas integram o “HULC” (Handheld Universal Lunar Camera), um sistema que inclui um revestimento térmico especial desenhado para as proteger das imensas oscilações térmicas e da radiação intensa no espaço.


Porquê a Nikon? A resposta reside numa palavra e que me enche de orgulho pois sou utilizador da marca. Fiabilidade inquestionável. Numa missão espacial, onde o custo do erro é incalculável e o espaço de armazenamento é valioso, o equipamento não pode falhar. A NASA não escolhe a máquina fotográfica apenas pela sua resolução, mas pela sua capacidade de operar de forma consistente, quer seja no interior pressurizado da cápsula Orion ou nas condições extremas do vazio espacial, como eventuais EVAs ou no uso externo. O histórico da Nikon na ISS provou, década após década, que as suas câmaras cumprem os exigentes requisitos de engenharia.

A missão Artemis II não testou apenas os limites da exploração humana, testou também a capacidade humana de partilhar a experiência visual da nossa viagem de volta à Lua. E para garantir que a humanidade tem o melhor lugar na primeira fila, a NASA confiou, mais uma vez, na engenharia óptica de precisão da Nikon.

 

Últimas Imagens vindas da Artemis 2 através das objetivas da Nikon: Créditos NASA:

 

 

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27 Julho, 2018 0 Comments

O maior eclipse total da Lua do século XXI

Hoje, sexta-feira a Lua vai estar mergulhada na sombra da Terra.

Em Portugal apenas iremos “apanhar” o fenómeno a meio porque a Lua nasce numa altura em que já está a decorrer a totalidade do eclipse. A Lua nasce hoje às 20h47 e o meio do eclipse irá ocorrer pelas 21h22. Durante o eclipse, a Lua ficará com uma tonalidade vermelha.
O eclipse lunar total, terá uma duração de cerca de uma hora e 45 minutos. Irá ser um bom dia para os entusiastas da fotografia em que o céu “apenas” tem de estar limpo e a linha de horizonte, a nascente, desimpedida, sem árvores ou prédios. O ideal será estar num local com pouca presença de luz artificial.

Por definição, o eclipse lunar é um fenómeno astronómico que ocorre sempre que a Terra fica entre o Sol e a Lua, exactamente na linha de intersecção da sua órbita com a da Lua, a chamada “linha dos nodos” e sempre que a Lua está na fase cheia. Quando esta situação ocorre, a Lua entra na chamada zona de “umbra” (ou sombra), ou “penumbra” da Terra e fica totalmente ou parcialmente invisível durante algum tempo.

Por norma, ocorrem dois eclipses do Sol e da Lua por ano. Em 2018, já houve um primeiro eclipse total da Lua a 31 de janeiro, mas não foi visível por cá. Esta sexta-feira será o maior eclipse que iremos poder assistir até 2100 em termos de duração.

Boas observações e fotografias!

 

8 Novembro, 2017 0 Comments

O tamanho da Lua no Horizonte

A Lua cheia foi há alguns dias, no dia 4 de novembro mais precisamente. No rescaldo de mais uma Lua Cheia, quantos de nós já paramos e observámos um nascer da Lua? Uma Lua que aparece enorme, pronta a ser apreciada e contemplada e que depois à medida que vai subindo no horizonte vai ficando mais pequena? Será que é mesmo assim ?

Poderia-se supor que os raios vindos da Lua junto ao horizonte ao percorrer um caminho mais longo, poderia provocar refracções que levariam a crer que parecesse maior. Mas isso não explica a Lua ser ou parecer maior. Se medirmos o tamanho da Lua com os instrumentos certos e precisos, iremos ver que o seu diâmetro não é maior quando está no horizonte. Mais, o oposto iria suceder pois qualquer objecto será sempre maior quanto mais próximo estiver de nós e quanto mais acima do horizonte estiver.

Então como se explica? Ilusão de Óptica.

Exactamente, este efeito não é óptico mas sim cerebral. É o cérebro humano que cria a “imagem fictícia” de uma lua enorme, não constituindo uma vulgar ilusão de óptica. Somos levados a pensar que a Lua está mais longe quando ela está no horizonte e assim ela parece maior para nós. Esta situação é conhecida como a Ilusão de Ponzo, em homenagem ao psicólogo italiano Mario Ponzo.

Nesta imagem, criada por Ponzo em 1913, verificamos in loco esta ilusão de óptica. Ponzo ao desenhar duas linhas verticais convergentes e outras duas linhas, estas horizontais, uma na parte superior cruzando as primeiras e outra na parte inferior, parece que a linha horizontal de cima é maior. De facto não acontece. Ambas as linhas horizontais têm o mesmo tamanho.

Isto acontece porque o nosso cérebro interpreta as linhas convergentes como linhas paralelas. Conclui-se então, que a Lua tem sempre o mesmo tamanho.

 

C3WKCH Large Asteroid closing in on Earth
19 Dezembro, 2015 0 Comments

Natal com visita de Asteróide

Para quem segue com alguma curiosidade assuntos que tenham a ver com astronomia como é o meu caso, fica a informação que nas vésperas deste Natal, dia 24, irá surgir nos céus um Asteróide a cerca de 11 milhões de quilómetros da Terra, visível no entanto apenas com recurso a um telescópio.

O 2003 SD220, nome do Asteróide irá passar a uma distância 28 vezes superior à que nos separa da Lua, mas que em termos astronómicos, é já considerado próximo. Nestes fenómenos surge sempre muita contra informação e especulação como a de que o Asteróide podia provocar tremores de terra e “acordar” alguns vulcões à sua passagem, obviamente tudo sem qualquer fundamento.

Outro facto curioso, é a de que a lua cheia vai coincidir com a noite de Natal, algo que não sucedia há perto de 40 anos. A próxima vez que voltar a suceder será apenas daqui a quase 20 anos, por isso vamos esperar que o céu esteja limpo para tirar uma fotografia a este raro momento. Dizer apenas ainda que a Lua Cheia de dezembro é também conhecida por “lua fria” ou “lua das noites longas”.

28 Setembro, 2015 0 Comments

Eclipse da Lua 2015 em Portugal

No dia de ontem, o céu noturno presenteou-nos com um dos mais belos “fenómenos”, um eclipse total da Lua. Este Eclipse total da Lua foi visível na Europa, incluindo Portugal, bem como em África Ocidental, América do Sul e Central e leste da América do Norte. Já tinha neste ano de 2015 existido um eclipse total da Lua, em abril, mas não foi visível em Portugal.

Os eclipses da Lua ocorrem sempre que o Sol, a Terra e a Lua se encontram próximos ou em perfeito alinhamento, com a Terra a estar entre o Sol e a Lua. Na animação pode-se ter uma leitura mais fácil do “evento”.

Animação Eclipse da Lua

Eclipe da Lua 2015

Nesta noite tive a oportunidade de fazer alguns registos fotográficos, apesar das condições atmosféricas não serem as mais indicadas, alguma neblina entre a objetiva e a Lua, no entanto deixo-vos com estas duas imagens. Espero que gostem.