22 Abril, 2021 0 Comments

O potencial da Biodiversidade para o Turismo

Portugal, é ainda um País rico em Biodiversidade. O potencial da Biodiversidade para o Turismo, é uma temática que deveria já constar das prioridades para o progresso e desenvolvimento do nosso território.

A pressão exercida a cada dia que passa em todo o mundo sobre biodiversidade, é imensa. O aparecimento de novas doenças, como ao que tudo indica, a pandemia que agora atravessamos, é disso exemplo e resultado. Assim, é necessário com cada vez mais urgência e ao mesmo tempo, com uma visão temporal mais alargada, olhar para os refúgios e habitats naturais que nos rodeiam, lugares mágicos e singulares e transforma-los em oportunidades. No entanto, é muito importante que, quando juntamos as palavras Biodiversidade e Turismo na mesma frase, devemos fazê-lo com um olhar bastante criterioso e compreender muito bem o significado desta “parceria”. Numa relação, Biodiversidade versus Turismo, temos forçosamente de considerar em todas as abordagens, que uma maior ocupação humana em espaços naturais, os riscos para esses mesmos espaços aumentam exponencialmente.

 

Chegamos então à sustentabilidade no turismo.

 

Pode parecer algo difícil ou mesmo impossível de alcançar. No entanto, a sustentabilidade é uma premissa que deve ser encarada como um desafio constante por todos os atores turísticos, sejam eles públicos ou privados. Para que os destinos não se degradem e continuem a proporcionar vivências gratificantes, tanto a turistas como a locais, será necessário estruturar toda uma oferta baseando-a numa experiência de qualidade em que tudo e todos saiam beneficiados. A Natureza e o Homem. Garantimos assim também, que estes possam permanentemente ser visitados por gerações vindouras, gerando valor local.

 

Novas tendências – Ecoturismo e Turismo Ativo

O Ecoturismo é uma das grandes tendências dentro do sector do Turismo nos últimos anos. Vivo num território carregado de enorme potencial turístico natural e cultural, no entanto, enfrentamos há anos uma enorme dificuldade de consolidação no aproveitamento deste mesmo potencial. Desde acessos precários que considero capitais, à falta de sinalética diversa, assim como também, o inexistente levantamento e interpretação de percursos com valor natural, cultural e paisagístico. Questões estas, que levam a um défice no desenvolvimento de um produto turístico de qualidade, resultando numa promoção territorial, dispersa e pouco eficaz.

O Turismo Ativo, é o mesmo que falarmos de turismo desportivo ou de aventura. Este tipo de turismo, pode ser visto como uma resposta às rotinas do nosso quotidiano. Aqui reside a ideia, de um regresso às origens e ao meio natural de onde o Homem é proveniente. Sofre dos mesmos problemas que mencionei no parágrafo anterior.

 

Guia para uma capacitação territorial

Biodiversidade e Sustentabilidade

A capacitação territorial, é um processo pelo qual todos os atores envolvidos num determinado território, adquirem aptidões para alcançar um conjunto de metas predefinidas. Estas metas, por via desta capacitação, não significam apenas formação na sua forma mais básica. Devem englobar e explorar grande parte das Soft Skills, como a Comunicação, Pensamento Crítico, a Aprendizagem e a Colaboração.

Toda esta capacitação de um território, por muito pequeno que seja, requer tempo e conhecimento. Falamos de uma capacitação não apenas individual, mas que vai mais além. Desde a organizacional, social como até nas novas tecnologias. Tecnologias estas, que nos podem ajudar e proporcionar uma bidirecionalidade entre todos os envolvidos. Turistas, podem por exemplo, obter informações inovadoras ou de nicho e assim ao mesmo tempo partilhar as suas intenções e/ou resultados das suas visitas. Ganha assim o território, engagement e authority.

Para desenvolver um plano de gestão de turismo sustentável, ainda para mais, querendo potenciar toda a biodiversidade de um território, devemos envolver todos os “stakeholders” relevantes, sejam eles público, privado ou outros. A “mira”, sempre bem apontada para as nossas duas palavras chave. Biodiversidade e Sustentabilidade.

 

Assim, devemos seguir as seguintes etapas processuais:

  • Garantir uma avaliação Ambiental e Social como base de referência;
  • Criar um modelo ou conceito de turismo que alicerce todos aspectos dessa avaliação, mais a gestão de receitas e
    custos para alavancar e alcançar os benefícios na conservação;
  • Verificar a possibilidade total ou parcial agregadora e multi-territorial do modelo;
  • Implementação do modelo ou conceito;
  • Monitorização e avaliação contínua de todas as etapas mencionadas.

 

 

O futuro da Biodiversidade e do

Turismo

Aos visitantes e às suas experiências, parece-me que estes são elementos essenciais para o propósito da sustentabilidade e da biodiversidade nestes territórios. Definirmos padrões elevados de sustentabilidade a um nível diferenciador e singular, realçando a excelência da oferta. Sem comprometermos um território, a sua integridade e identidade, conseguimos ao mesmo tempo gerar um modelo económico territorial.

O Turismo, o Ecoturismo, o Turismo Ativo bem planeado, oferece-nos oportunidades únicas de preservação e conservação da nossa natureza e da nossa cultura. Fá-lo, não apenas de forma breve, esporádica ou sazonal mas mais espaçada e equilibrada no tempo. A própria ONU em 2014 em Assembleia Geral, adotou uma resolução em que passou a reconhecer a contribuição do turismo sustentável para a erradicação da pobreza no desenvolvimento dos territórios e na proteção da sua biodiversidade. Já em 2017 também pela mão da ONU, foi declarado esse mesmo ano, como o Ano Internacional das Nações Unidas para o Turismo Sustentável para o Desenvolvimento.

 

Riscos, Tendências Futuras e Conclusões

Existem riscos para biodiversidade juntamente com o Turismo?

Certamente que sim. Conheço-os muito bem, principalmente na área territorial onde me encontro. Mas o aumento das temperaturas a nível global, que nos afetam particularmente, levam a um aumento de incêndios florestais marcados pela sua maior violência. Este risco, que é claramente calculado, supera em muito tudo o que referi até aqui.

 

Esta temática, por si só, indubitavelmente daria muito mais que falar, desenvolver e explorar. Espero que tenhas gostado e sente-te livre para dares a tua opinião. Já sabes, também podes subscrever a minha a newsletter e assim não perderes os próximos artigos ou novidades!
Caso também ainda não tenhas recebido o último wallpaper de oferta, clica aqui!

Fotografias: Castanheira de Pera | Serra da Lousã
2021

Dia da Terra, 22 de abril de 2021

Hoje também se comemora o Dia da Terra.
Termino com a sugestão de visualização deste vídeo.
Muita Saúde! Até breve, Jorge

 

Glossário:

*engagement
Podemos definir este termo, engagement, como a interação entre o turista e o território no seio das redes sociais e motores de busca. Trata-se fundamentalmente na construção positiva e saudável de uma relação de longo prazo entre estes dois “protagonistas”.

*authority
É Um método que podemos usar para acelerar a conquista e a confiança dos turistas, através da aquisição de credibilidade, visibilidade e impacto.

10 Fevereiro, 2021 0 Comments

Um olhar sobre o Poço Corga

Na verdade este não será apenas um olhar sobre o Poço Corga, mas sim dois olhares sobre este local de inegável valor natural. Em primeiro lugar vamos…

20 Dezembro, 2020 0 Comments

Arquivos RTP: Florestas Portuguesas

Numa recente “descoberta”, em matérias que tenho particular interesse, encontrei uma série intitulada Matas, Bosques e Brenhas: Florestas Portuguesas.

7 Dezembro, 2020 0 Comments

Fotografias do ano 2020: Desastres Naturais

A agência de notícias britânica, a maior agência internacional de notícias do mundo, com sede em Londres, Reuters reuniu 50 fotografias de desastres naturais ocorridos durante este ano.

24 Julho, 2020 0 Comments

Floresta – Brincamos com … o Fogo!

É essencial que reconheçamos, todos, o valor da riqueza associada aos espaços florestais. Pensar numa floresta autóctone a trinta ou quarenta anos. De que nos vale pensar no imediato, se o fogo nos “visita” a cada seis, oito ou dez anos?

11 Junho, 2020 0 Comments

Cascata da Fraga de Água d’Alta – Orvalho

Começo por informar, pois não sabia aquando da minha visita, que a Cascata da Fraga de Água D’Alta fica situada em espaço natural da Geopark Naturtejo na freguesia de Orvalho, Município de Oleiros, Beira Baixa.

1 Maio, 2020 2 Comments

Passadiço da Ribeira das Quelhas no Coentral

Regressando ao Passadiço da Ribeira das Quelhas, este terá uma extensão de 1200m, estando localizado junto da aldeia do Coentral Grande. Uma aldeia histórica de Portugal, onde no século XVIII,

17 Junho, 2018 0 Comments

UM ANO DEPOIS no “Pinhal” Interior…

“Pinhal Interior. Imputaram-se mais encargos e responsabilidades aos proprietários que pouco ou nada conseguem rentabilizar das suas terras,

11 Outubro, 2015 5 Comments

As Casas dos Guardas Florestais

Hoje os guardas florestais incorporados na Guarda Nacional Republicana, também com a relevância que lhe é devida e merecida, deixaram de dar um uso pleno a estas casas.
Mais de um milhar destas edificações espalhadas de norte a sul com o objetivo de acolher, não apenas o Guarda Florestal mas também a sua família, foram construídas no auge da exploração florestal e quando esta constituiu uma prioridade económica do Estado há várias décadas atrás.

 

Eram em locais estratégicos nas matas nacionais, que estas habitações eram construídas. Não se confinavam apenas à habitação em si, mas tinham também acesso a muita água e algum terreno de cultivo assim como pequenos anexos para criação de galinhas, coelhos ou porcos. Isto apesar da maioria das vezes as localizações serem longe das ideais para este efeito. Mas arranjar meios de alguma subsistência era primordial e aqui tanto o Guarda, como a Esposa e os Filhos tinham um papel fundamental.

 

Olhando agora para a figura do Guarda Florestal do antigamente, este fazia da fiscalização a sua atividade, percorrendo uma determinada área denominada de Cantão. O Guarda Florestal era um conhecedor nato de toda a área florestal à sua responsabilidade e temido por todos, principalmente dos que prevaricavam.
Desde a gestão nas épocas da caça e pesca, à simples autorização de um corte de uma árvore ou mato para os animais, este era o trabalho do Guarda Florestal. Neste tempo, a fiscalização era feita a pé, os guardas eram pessoas respeitadas mas também eles de poucas posses, logo com alguma sensibilidade para a extrema pobreza da época. Acabavam muitas vezes, apesar de sujeitos a ordens superiores, de fechar os olhos a uma ou outra árvore que se cortava ou já estaria seca por uma trovoada e deixavam que os populares de aldeias localizadas em locais também eles inóspitos, as levassem. Os Invernos eram rigorosos e as casas bastante frias, a maioria sem lareiras apenas com braseiras e o… pobre do fumeiro logo por baixo da telha serrana.

 

As Casas dos Guardas Florestais são autênticos museus vivos da figura do Guarda Florestal que hoje os mais novos já vão desconhecendo. Umas vendidas outras perdidas pelos montes e dada a malfadada desertificação, estão sujeitas a todo o energúmeno que gosta de destruir o património de todos nós. São cada vez mais as ruínas e as histórias que vão sobrando, sendo que o meu avô ainda hoje me vai contando algumas. Talvez chegue o dia, em que todas histórias de tanto serem contadas, se tornem lendas.

Casa do Guarda no Figueiredo
Fotografia 1: Casa do Guarda das Hortas
Fotografia 2: Casa do Guarda do Figueiredo,
nome do último Guarda que habitou nesta casa

 

30 Setembro, 2015 0 Comments

Elementos: História Versus Progresso

Continua a proliferação de novos Parques Eólicos por terras de Portugal. A foto que utilizo para ilustrar este artigo situa-se no Cabeço do Pereiro, mais conhecido por Santo António… da Neve. Este local icónico, num dos pontos mais altos da Serra da Lousã, pertence ao Concelho de Castanheira de Pera e tem uma história incalculável.
Fazendo um compêndio, era neste local que há mais de 200 anos era recolhida neve no inverno para os sete Poços existentes na altura, sendo que agora existem apenas três estando classificados como Imóveis de Interesse Público desde 1986. Também a Capela, que se vê na fotografia edificada exatamente duzentos anos antes, 1786 está classificada de Imóvel de Interesse Público. Da neve recolhida no Inverno, ficava o gelo que era depois comercializado nos meses de Verão. O transporte da neve era feito em carros de bois em que estes seguiam por caminhos mais ou menos sinuosos até Constância. Daqui, a viagem continuava em barcos até ao Terreiro do Paço, em Lisboa, e posteriormente vendidos para a Casa Real bem como para vários cafés, sendo o conhecido Café Martinho da Arcada um deles, em que por fim transformavam o gelo em gelados. Mas para uma leitura mais exaustiva, aconselho bastante seguir o seguinte endereço, http://bit.ly/1QJEHeo.

Olhando agora para o… Progresso.
Os Parques Eólicos vieram em grande força para Portugal de há quinze anos por aí a esta parte. Apesar de pouco se falar, a Energia Eólica que é uma energia renovável é sujeita a várias interpretações quanto à sua mais valia.
Como vantagens temos a compatibilidade com outros usos e utilizações do terreno, emprego, investimento em zonas desfavorecidas, benefícios financeiros para proprietários dos terrenos. A energia eólica tem reduzido a elevada dependência energética do exterior, nomeadamente a dependência em combustíveis fósseis.
Olhando agora para as desvantagens. Temos desde logo o impacto visual considerável. A instalação dos parques eólicos gera uma grande alteração na paisagem, assim como também o efeito sonoro feito pelas pás dos aerogeradores. Outras duas grandes situações que irei mencionar é em primeiro, o impacto sobre as aves no local e os efeitos ainda pouco estudados sobre a modificação dos seus comportamentos habituais de migração. Depois em segundo lugar, é o factor intermitência na produção de energia dado que o vento nem sempre sopra quando a electricidade é necessária. Esta situação torna difícil a integração da sua produção num programa de exploração.

Voltando novamente para a imagem em questão. Existem os chamados estudos de impacto ambiental em que à partida se deveria confiar nos mesmos. Eles estão feitos e publicados e os parques, este em concreto avançou e está a ser construído.

Para Castanheira de Pera estes investimentos, dentro e fora do Concelho foram uma lufada de ar fresco e uma nova oportunidade na questão da empregabilidade. Não tenho números comigo, mas serão várias dezenas de pessoas que diariamente fazem manutenção destas torres eólicas. Mais, os efeitos indiretos que ainda advêm destes mesmos postos de trabalho. Os impactos sociais são imensos e resta-nos, de forma positiva, adaptar e interiorizar estes novos elementos que nos rodeiam, não esquecendo e vincando ainda mais a história e os nossos antepassados, harmonizando ao máximo a coexistência de ambos. Acredito também, que a natureza de forma natural seguirá este processo de adaptação com sucesso.

Não há “História Versus Progresso”, há sim em minha opinião “História E Progresso”.