7 Março, 2026 0 Comments

Poeiras do Saara voltam a ensombrar o céu

Começo por dizer que este texto vem com alguns dias de atraso. Ainda assim, lembrar que quem olhou para o céu principalmente no dia 4 de março, reparou que o azul deu lugar a um tom mais baço, por vezes até amarelado. Esta alteração não foi uma simples ilusão de ótica, mas o resultado de uma colossal nuvem de poeiras oriunda do deserto do Saara que, neste início de março, se encontra a atravessar o sudoeste europeu. Como podem ver na imagem impressionante captada pelo Copernicus Atmosphere Monitoring Service (CAMS) no dia 5 de março, esta pluma de pó estende-se desde a costa do Norte de África, varrendo com intensidade países como Portugal, Espanha, França e Itália, e alcançando até o Reino Unido. As previsões mais recentes indicam mesmo que esta massa continuará a sua viagem em direção à Escandinávia nos próximos dias.

Embora este fenómeno natural não seja propriamente uma novidade para nós, a escala e a densidade desta incursão em particular merecem a nossa atenção e algum cuidado. Esta invasão de poeiras tem provocado uma degradação severa da qualidade do ar, com as concentrações de partículas inaláveis (PM10) a ultrapassarem de forma clara os limites de segurança estabelecidos pela União Europeia. Estas partículas microscópicas, quando inaladas, podem ter efeitos prejudiciais na nossa saúde, o que levou já os serviços meteorológicos nacionais a emitirem avisos à população.

Neste contexto, é imperativo usar de bom senso, uma regra de ouro que procuro sempre defender por aqui. Se a literacia digital ensina-nos a filtrar a informação que consumimos online, a literacia sobre saúde e ambiente ensina-nos a agir de forma preventiva perante as condições atmosféricas. As recomendações são claras, os grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios crónicos, devem limitar as suas atividades no exterior enquanto esta pluma pairar sobre nós. É importante mantermos as janelas fechadas sempre que possível e acompanharmos as atualizações dos nossos serviços de meteorologia. No fundo, é uma questão de lidarmos com inteligência com mais este capricho da natureza.

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18 Fevereiro, 2026 0 Comments

Literacia Digital, entre a Ligação e a Compreensão

Além da Literacia Digital…

Vivemos tempos paradoxais no Mundo em geral e em Portugal em particular. Ao mesmo tempo que começo a escrever estas primeiras frases, penso de imediato que nunca como antes estivemos tão conectados, com taxas de penetração de internet e utilização de dispositivos móveis que rivalizam com as economias mais desenvolvidas. No entanto, esta facilidade de acesso à informação não se tem traduzido automaticamente em conhecimento, e muito menos em sabedoria. O desafio premente que enfrentamos hoje não é o da exclusão digital no seu sentido mais técnico, mas sim no de uma iliteracia funcional no ambiente online que deixa vastas franjas da população, desde os jovens aos mais idosos, vulneráveis à desinformação. O combate a este fenómeno exige uma mudança de paradigma. Precisamos de deixar de ver o digital apenas como uma ferramenta utilitária e passar a encará-lo como um espaço cívico onde a verdade e a mentira competem ferozmente pelo atrair de atenção.

A desinformação, entendida como uma narrativa comprovadamente falsa ou enganosa criada e disseminada para obter vantagens económicas, políticas ou para enganar deliberadamente o público, tornou-se uma ameaça sistémica à nossa democracia. Em Portugal, onde o consumo de notícias através das redes sociais é elevado, o perigo reside na velocidade com que o falso se propaga. É fundamental distinguir, como nos ensinam as orientações europeias para a educação, entre a informação errada, partilhada sem intenção de dolo, e a desinformação calculada, que visa manipular opiniões, emoções e ações. Esta distinção não é meramente académica. Define a forma como devemos educar as novas gerações. Não basta ensinar usar um computador, é imperativo ensinar a questionar o que aparece nos aparece nos ecrãs. A literacia digital deve ser compreendida como a capacidade para aceder, gerir, compreender, integrar, comunicar, avaliar, criar e divulgar informações de forma segura e adequada.

O sistema educativo português tem feito esforços interessantes para integrar estas competências no currículo, nomeadamente através da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento e de referenciais emanados pela Direção-Geral da Educação. No entanto, a tarefa, obviamente é hercúlea. Os professores, muitas vezes sobrecarregados, são chamados a ser a primeira linha de defesa contra uma indústria de desinformação que utiliza algoritmos sofisticados para criar câmaras de eco e bolhas de filtro *definição no final do artigo. Estas bolhas reforçam crenças preexistentes e isolam os indivíduos de opiniões contrárias, polarizando a sociedade. A escola deve ser o sítio onde se furam estas bolhas, promovendo o contacto com o contraditório e o desenvolvimento do pensamento crítico. Como sugerem os especialistas, técnicas como a “leitura lateral”, verificar o que outras fontes dizem sobre o mesmo tema  e a “desmistificação prévia”, que vacina os alunos contra as táticas de manipulação antes que eles sejam expostos a elas, são essenciais na “caixa de ferramentas” pedagógica moderna.

Contudo, não podemos depositar toda a responsabilidade na escola. A literacia digital enfrenta desafios semelhantes aos da literacia financeira, onde estudos indicam lacunas significativas no conhecimento da população adulta. Tal como é necessário saber gerir o orçamento familiar para não cair em fraudes financeiras, é crucial saber gerir a dieta informativa para não cair em fraudes intelectuais ou ideológicas. A desinformação tem também uma componente económica forte. Os criadores de “fake news” lucram com cada clique, explorando as nossas emoções mais básicas como o medo ou a indignação. Se os portugueses não compreenderem que a sua atenção é uma moeda de troca, continuarão a ser peões num jogo de xadrez onde a verdade é a primeira baixa.

O futuro do combate à desinformação em Portugal passa, inevitavelmente, pela capacitação transversal da sociedade. Precisamos de programas de literacia digital que cheguem aos seniores, frequentemente alvos de burlas online e de desinformação política, e que continuem a reforçar a resiliência dos jovens. A tecnologia, com a ascensão da inteligência artificial e das “deepfakes“, vídeos ou áudios criados por computador que imitam pessoas reais, tornam cada vez mais difícil distinguir o real do “photoshop”. Neste cenário, o ceticismo saudável e a verificação de factos deixarão de ser competências jornalísticas para se tornarem deveres de cidadania.

Esta guerra pela verdade terá de ser ganha com educação, com o saber e com legitimidade intelectual de cada um de nós. Temos as infraestruturas e temos os diagnósticos feitos. O que necessitamos é de uma mobilização para a literacia digital, encarando-a como um desígnio estratégico. Só assim poderemos garantir que a revolução digital serve para nos empoderar enquanto cidadãos e fortalecer a democracia, não manipulando, não dividindo.

A literacia digital não é apenas sobre saber mexer nas máquinas com ecrãs, é sobre saber pensar num mundo dominado por elas. É urgente formar cidadãos digitais que participem de forma ativa, contínua e responsável, tanto online como offline, protegendo os valores democráticos que demorámos tanto a conquistar.

 

…..

 

CÃMARAS DE ECO E BOLHAS DE FILTRO

BOLHAS DE FILTRO
Recolha de Dados: As plataformas registam cada interação: cliques, gostos (likes), tempo de visualização, partilhas e pesquisas.
Análise de Padrões: A inteligência artificial (IA) usa redes neuronais para prever os teus gostos com base em dados passados.
Filtragem de Conteúdo: O algoritmo oculta conteúdos que considera que não lhe interessam ou com os quais discorda, priorizando apenas o que confirma as tuas preferências.
Reforço contínuo: Quanto mais interage com um determinado tipo de conteúdo, mais a plataforma o alimenta, tornando a bolha mais estreita.

CÂMARA DE ECO
Viés de Confirmação: Os utilizadores tendem a procurar informações que confirmem as suas crenças preexistentes.
Seleção de Amigos: As pessoas tendem a seguir e interagir com quem partilha opiniões semelhantes, criando uma “rede entrelaçada” de pensamentos homogéneos.
Efeito de Ressonância: As opiniões divergentes são excluídas ou silenciadas, fazendo com que as mesmas ideias sejam repetidas e amplificadas, como um eco.

RESULTADO
Polarização: Ambientes online onde pontos de vista divergentes não têm espaço, impulsionando assim o extremismo.
Limitação da Realidade: Os utilizadores recebem uma percepção limitada da realidade, restringindo a diversidade informativa.
Criação de Realidades Paralelas: Diferentes grupos de utilizadores vivem em mundos informacionais distintos, dificultando o consenso social.

 

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5 Janeiro, 2025 0 Comments

O Segredo dos nossos dados

A informação passou a ser dos recursos mais valiosos do mundo. Cada clique, cada interação e cada segundo que passamos online geram dados que são recolhidos, analisados e utilizados quer por empresas quer por governos. Mas até que ponto temos consciência do que acontece com as nossas informações pessoais? Quem é que realmente controla estes dados e quais são as implicações para a nossa privacidade e liberdade?

O segredo dos nossos dados, está mesmo em segredo?

Clive Humby, um matemático britânico e pioneiro na análise de dados, refere que os dados são o novo petróleo. Certo é que grandes empresas de tecnologia têm construído verdadeiros impérios baseados na recolha e análise de informações dos utilizadores, os dados. A Google, Facebook, Amazon e tantas outras empresas, dependem dos nossos dados para otimizar todos os seus serviços para assim direcionar anúncios e, mais preocupante ainda, prever e influenciar comportamentos. Através de algoritmos finos, estas empresas conseguem mapear interesses, antecipar desejos e até manipular decisões. O que antes era apenas publicidade personalizada, agora extravasa a áreas como a política, economia e até mesmo à saúde. A questão é: até que ponto estamos dispostos a trocar a nossa privacidade por conveniência?

Muitas plataformas continuam a afirmar que nós enquanto utilizadores, temos o poder de controlar os nossos dados, através das configurações de privacidade. Estas opções no entanto, são na maioria das vezes, complexas e “escondidas” em longos termos de uso que poucos têm vontade de ler. Mesmo após ajustarmos as nossas preferências, continuamos a fornecer dados a cada interação digital, muitas vezes sem nos apercebermos. Há ainda uma falta de transparência sobre como estas informações são utilizadas. Por exemplo, os dados que partilhamos com uma aplicação podem ser vendidos a terceiros sem o nosso conhecimento. Estas empresas utilizam os nossos dados para criar perfis detalhados (personas) que podem ser usados para nos vender produtos, moldar opiniões políticas ou influenciar comportamentos, tudo isto de forma imperceptível.

As redes sociais são um claro exemplos de como os dados são usados para moldar comportamentos. Os algoritmos determinam o que vemos nos nossos feeds, priorizando conteúdos que geram maior envolvimento, criando bolhas de informação, onde somos expostos apenas a opiniões semelhantes às nossas, reforçando crenças e dificultando um debate saudável. Este fenómeno contribui para a tão mencionada polarização da sociedade, já que diferentes grupos recebem informações distintas e muitas vezes manipuladas. A propagação de fake news é assim facilitada, pois conteúdos sensacionalistas tendem a gerar mais interações e, consequentemente, são mais promovidos pelos algoritmos. O exemplo da ida do homem à Lua, é flagrante.

Este uso de dados não é limitado apenas às empresas e ao privado. Os Governos também estão a recorrer à vigilância digital para monitorizar cidadãos sob o pretexto de uma segurança nacional. Tecnologias de reconhecimento facial, monitorização de redes sociais e armazenamento massivo de comunicações, são algumas das ferramentas utilizadas. Estas medidas, embora sejam muitas vezes justificadas como forma de combater o crime, têm a sua implementação sem regulamentação adequada o representa uma ameaça às liberdades individuais. A privacidade é um direito fundamental e, quando comprometida, pode levar a um estado de vigilância constante onde cada ação é registada e potencialmente usada contra as pessoas.

Os dados também não são usados apenas para publicidade e segurança. Empresas de saúde e seguradoras estão cada vez mais interessadas nas informações médicas e nos hábitos das pessoas. Com o avanço da inteligência artificial, já é possível prever doenças e criar tratamentos personalizados baseados em análise de grandes volumes de dados. Esta utilização levanta também ela, questões éticas. Se os dados de saúde forem utilizados de forma inadequada, podem levar à discriminação no acesso tanto a seguros como até no acesso ao emprego. Uma pessoa com um histórico de doenças pode ver as suas oportunidades reduzidas devido a perfis de risco que as próprias empresas criam. Também aqui, a falta de regulamentação adequada pode resultar em injustiças e aumentar as desigualdades sociais.

Chegámos ao Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD). A União Europeia foi um dos primeiros a dar passos para tentar devolver aos cidadãos o controlo sobre os seus dados. Ainda assim, muitas empresas procuram formas de contornar estas leis, tornando assim necessário um reforço nas políticas de proteção de dados. A legislação pode e deve evoluir para garantir maior transparência e responsabilização das empresas que recolhem e utilizam os nossos dados. Os cidadãos também necessitam de mais ferramentas para estar mais conscientes sobre como os seus dados são tratados e exigir mais proteção e direitos sobre as suas próprias informações.

A responsabilidade também recai assim sobre cada um de nós. A nossa responsabilização e conhecimento sobre o tema. Pequenas ações, como verificar que permissões são ou não concedidas às aplicações, a utilização de navegadores focados na privacidade e evitar também o uso excessivo de redes sociais. São tudo ações que podem fazer a diferença. Também o recurso a ferramentas como VPNs, bloqueadores de rastreadores e motores de busca alternativos podem ajudar a minimizar a nossa exposição online. Mais importante ainda, precisamos de promover a literacia digital. Devemos ter presente desde cedo a importância da privacidade e os riscos associados à partilha excessiva de informações. A consciencialização é a primeira linha de defesa contra a exploração dos nossos dados.

O segredo dos nossos dados é que, na realidade, eles deixaram de ser nossos. Vivemos numa sociedade onde a informação tornou-se numa moeda de troca, e a nossa privacidade é o preço a pagar pela nossa conveniência digital. Estaremos condenados a este destino? Com uma regulamentação adequada, maior transparência e mudanças nos nossos hábitos, podemos ainda recuperar parte do controlo sobre parte ou mesmo um todo das nossas informações.

A questão principal que se coloca é: estamos dispostos a lutar por este direito ou vamos continuar a ceder os nossos dados em troca de um mundo aparentemente mais conectado, mas profundamente e cada vez mais controlado?

 

29 Dezembro, 2024 0 Comments

Mapa Mercator versus Mapa AuthaGraph

O Mapa Mercator versus Mapa AuthaGraph. Temos olhado durante séculos para um mundo “distorcido”. Isto é, olhando à maioria dos mapas que aprendemos a utilizar, como o famoso mapa de Mercator, criado em 1569, este acaba por falhar na representação da Terra. Esta projeção aumenta desproporcionalmente as regiões no hemisfério norte, pensemos, por exemplo, no tamanho exagerado da Gronelândia, face a África que parecem ser idênticos em tamanho, quando, na realidade, África é 14 vezes maior! Este mapa tradicional além de ter sido uma ferramenta prática para a navegação marítima, ajudou também a perpetuar uma visão bastante eurocêntrica do mundo.

Foi na década de 70, que o jornalista alemão Arno Peters “denunciou” estas distorções, propondo então alternativas que desafiassem a hegemonia do mapa de Mercator. No entanto, só mais recentemente surgiu uma solução verdadeiramente inovadora: o Mapa AuthaGraph. Este mapa foi criado pelo arquiteto e artista japonês Hajime Narukawa e é considerado, por muitos, o retrato mais preciso do nosso planeta até hoje. Tanto que venceu o prestigiado Good Design Award no Japão.

Então, o que faz com que o Mapa AuthaGraph seja assim tão especial? Priemeiro, cria uma ruptura com os paradigmas habituais ao dividir o globo terrestre em 96 triângulos. São estes triângulos que depois acabam por ser projetados num tetraedro, e que por fim é desdobrado num retângulo. Este método elimina as distorções clássicas, como o exagero das áreas perto dos polos, ao mesmo tempo que mantém as proporções corretas entre os continentes e os oceanos. Além disto, a versatilidade do mapa permite que ele seja “remontado”, colocando qualquer região no centro sem perder a necessária precisão geográfica. É, literalmente, uma nova forma de vermos o mundo.

Esta abordagem acaba por não ser apenas uma questão de precisão científica. Num momento em que enfrentamos desafios globais como o derreter dos glaciares, a subida do nível do mar e disputas sobre recursos marítimos, um mapa que dá esta atenção a oceanos e regiões polares como aos continentes, é crucial. Ele convida-nos a olhar para o planeta de uma forma mais integrada e interligada, promovendo ao mesmo tempo uma consciência global.

Ao observar esta imagem do Mapa AuthaGraph, acabo por sentir que há algo profundamente inspirador na ideia de desconstruir e reconstruir a nossa visão do mundo. Não só nos desafia perante os preconceitos históricos, como também nos faz recordar da beleza e complexidade do nosso planeta. Talvez com esta nova perspectiva, seja exatamente o que precisamos para enfrentar os desafios de um mundo em constante mudança. Afinal, compreendermos o planeta é o primeiro passo para cuidarmos dele.

 

The AuthaGraphy projection

7 Janeiro, 2024 0 Comments

A magia do inverno

No inverno, a natureza despe-se na sua exuberância, transformando-se num palco de elegância silenciosa. As paisagens tornam-se pinturas vivas, cobertas por um véu despido e por vezes branco. Um brilhante que transforma cada parcela de terra num quadro de tranquilidade. As árvores, outrora vestidas em folhas de ouro e rubis, agora revelam os seus galhos entrelaçados, despidos de vaidade, mas carregados de histórias e promessas.

À medida que a neve dança suavemente do céu, cada floco é um fragmento de poesia que se deposita com irreverência. O silêncio do inverno, é a natureza a sussurrar os seus segredos mais profundos, aos ouvidos dos mais atentos.

As manhãs de inverno surgem envoltas em névoas celestiais, onde o sol se esforça para romper uma cortina de gelo. A luz dourada, filtrada pelo véu gélido, pinta a paisagem com tons suaves e acolhedores. É o despertar da natureza, um momento efémero em que a luz e a sombra dançam numa coreografia perfeita, iluminando o caminho para um novo dia.

As árvores de folha caduca, agora desprovidas de sua vestimenta sazonal, revelam a complexidade da sua estrutura. Os galhos, como braços estendidos, parecem aguardar a promessa da primavera, a promessa de renovação. É a serenidade da espera, a confiança de que a beleza ressurgirá mesmo nos momentos mais frios e silenciosos.

Nas noites gélidas do inverno, o céu é uma imensidão cintilante de estrelas, pontuada pela presença majestosa da lua. O ar cortante carrega uma sensação de magia, como se cada fôlego fosse uma aura misteriosa. Sob o manto estrelado, a quietude intensifica-se, convidando a uma contemplação sobre a vastidão do universo.

No aconchego dos nossos lares, os estalidos da lenha nas lareiras ecoam como se de uma canção se tratasse. O calor no interior das nossas casas, cria contraste com o frio impiedoso do lado de fora.

O inverno não é apenas uma estação do ano, mas um capítulo das nossas vidas na narrativa que é a natureza e a química. É um período de introspeção, de apreciação pela beleza e simplicidade.

O inverno, na sua essência, é uma obra-prima de serenidade e … renovação.

Até breve,
Jorge Nunes

26 Dezembro, 2023 0 Comments

Fotografia Oferta de Bom Ano

Uma vez mais e mesmo a fechar o ano, sai um oferta de uma fotografia com umas cores belíssimas de final de tarde e de outono. Espero que gostem!

Deixo-vos ainda, votos de um bom ano de 2024 com muita saúde e com ainda mais concretizações profissionais e pessoais.

FELIZ ANO NOVO 2024!

 

Dados técnicos da fotografia:
Abertura: 6
Velocidade: 1/60seg
ISO: 320
Flash: Não
Distância Focal: 60mm

 

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3 Dezembro, 2023 0 Comments

Toda a verdade sobre a ida do Homem à Lua

A ida do Homem à Lua, foi resultado de um fascínio e imaginação desde tempos imemoriais. Contudo, foi apenas no século XX que a ideia de enviar o homem à Lua evoluiu de um sonho e imaginação distantes, para um objetivo concreto. O impulso inicial veio obviamente dos próprios avanços da tecnologia e com o advento da exploração espacial durante a Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética, competiam por uma espécie de supremacia global e do … cosmos.

Foi então a 20 de julho de 1969, através da missão Apollo 11 da NASA que os Estados Unidos “ganharam a corrida” à União Soviética. Os astronautas Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins tornaram-se símbolos de coragem e perseverança ao realizar a primeira caminhada lunar, desbravando um território até então inexplorado. Até aos dias de hoje apenas doze foram os astronautas que pisaram a superfície da Lua, tendo o último humano pisado a Lua (Harrison Schmitt), em dezembro de 1972, portanto há muitos anos. 

A ida do homem à Lua não apenas expandiu os horizontes da exploração espacial, mas também inspirou gerações a perseguir desafios ambiciosos e a alcançar as estrelas e o cosmos.

 

Mas então porque existe quem acredite que tudo isto é uma farsa?

Que acreditem que milhares e milhares de pessoas, desde Engenheiros e Cientistas de diversas áreas, que estiveram envolvidos nas Missões Apollo, estejam coniventes que uma farsa desta universalidade?

1. Desconfiança na Era da Desinformação: A teoria de que o homem não foi à Lua, que não é novidade, ganhou espaço nesta nova Era marcada pela desinformação e pelo regresso do Homem à Lua já em 2025. Com o avanço da tecnologia e da disseminação rápida de informação, tornou-se desafiante compreender o que é verdadeiro do falso. Muitos cépticos e pouco informados diga-se, acreditam que as imagens e vídeos da missão Apollo 11 foram manipuladas num estúdio, alimentando suspeitas e teorias de conspiração que questionam toda uma veracidade destes eventos históricos.

2. Argumentos Científicos Questionáveis: Alguns cépticos apontam para supostas inconsistências científicas nos registos da missão Apollo. Alegam entre outros, que a radiação no cinturão de Van Allen deveria ter sido mortal para os astronautas. Depois questionam ainda a ausência de crateras causadas pelo módulo lunar e nas diferentes direções das sombras pelo próprio.

3. Conflitos Políticos e Guerra Fria: O contexto político da Guerra Fria também desempenha um papel na propagação das teorias conspiratórias sobre a ida à Lua. Com os Estados Unidos e a União Soviética a competir pela corrida espacial, existe uma ideia de que a NASA teria inventado a missão Apollo como uma “jogada política” para afirmar a superioridade americana. Este, é ainda um cenário que alimenta o cepticismo entre aqueles que veem a exploração lunar como um mero capítulo de rivalidade geopolítica.

4. Dificuldade em Aceitar Conquistas Extraordinárias: O difícil aceitar que a humanidade tenha realizado uma conquista tão extraordinária como a chegada à Lua. Um feito monumental que desafiou as percepções dos comuns mortais sobre o que é, ou não possível.

5. Desafios na Compreensão Científica: A compreensão detalhada da ciência por detrás da exploração lunar pode ser desafiadora e pode levar à desconfiança. Teorias complexas, como a física orbital e as características do ambiente lunar, podem parecer distantes de uma compreensão quotidiana. Esta falta de familiaridade com conceitos científicos pode resultar num cepticismo generalizado.

 

Que contributo podemos dar para combater estas teorias da conspiração não apenas sobre a ida do Homem à Lua, como a da terra ser plana ou outras? 

 

Basicamente, com abordagens multifacetadas, onde a educação e a comunicação têm um papel fundamental pois promovem o pensamento crítico. 

Em baixo deixo-vos com dois vídeos caso queiram aprofundar melhor os vossos conhecimentos sobre a ida do homem à Lua. Demonstram, principalmente em termos fotográficos que todas estas teorias, não passam disso mesmo, teorias. Um abraço e até já!

 


 


15 Outubro, 2023 0 Comments

A jornada de 100 anos até Proxima Centauri B

A viagem de 100 anos até Proxima Centauri B é uma “viagem” de ficção científica ao planeta habitável mais próximo da Terra, a uma distância de 4,24 anos-luz, com uma nave espacial de fusão nuclear.

8 Outubro, 2023 0 Comments

Inteligência Artificial e a Fotografia

A fotografia é uma forma de arte e comunicação que tem evoluído ao longo dos anos. Desde a sua invenção no século XIX e com os avanços da tecnologia, a fotografia passou por várias transformações e um dos desenvolvimentos mais notáveis é o uso da inteligência artificial ou IA.

A IA tem desempenhado um papel significativo na revolução da fotografia, proporcionando melhorias em diversas áreas, desde a captura de imagens até ao processo de edição. Um dos principais objetivos pelos quais a inteligência artificial está a ser usada e aplicada na fotografia, é na melhoria da qualidade das imagens. Algoritmos de inteligência artificial podem ser usados tanto para reduzir o ruído em fotografias como para melhorar a exposição ou até mesmo para remover objetos indesejados nas imagens.

Além disso, a inteligência artificial tem também permitido o desenvolvimento de máquinas mais inteligentes que são capazes de reconhecer automaticamente cenas e ajustar os modos aos momentos para obter a melhor imagem possível sem intervenção do fotógrafo. Isto pode simplificar o processo, permitindo que haja uma maior concentração na composição e na criatividade, sendo que a máquina fotográfica trabalhará pelo fotógrafo, nas configurações mais técnicas.

Outra área em que a inteligência artificial está a criar um maior impacto na fotografia e até polémica, é na edição de imagem. Programas de edição de fotografia alimentados por IA, estão cada vez mais a realizar tarefas complexas, como a remoção de objetos, a melhoria da nitidez e a correção de cores de forma rápida, eficiente e muito importante, mais assertiva. Isto vai economizar tempo e esforço para quem fotografa e vai permitir que sejam alcançados resultados de imensa qualidade, muito mais rapidamente.

A inteligência artificial em fotografia está ainda a ser usada para criar novas formas de arte fotográfica. Ou seja, através de algoritmos profundamente avançados, basta com pedidos escritos ou orais por parte de um utilizador para se gerar imagens artísticas, como pinturas famosas ou fotografias antigas. Isto está a abrir um leque de novas possibilidades criativas,  tanto para artistas como para fotógrafos, permitindo assim uma fusão de diferentes estilos e técnicas.

A recente versão lançada pela Adobe, o Adobe Photoshop lançou os “sininhos” de preocupação neste meio. Questões éticas, de privacidade e mesmo autorais estão a levantar-se e a causar bastante “sururu”. Em tempos de disseminação de informações falsas ou enganosas, esta melhoria tecnológica tem os seus “defeitos”.

No entanto, a inteligência artificial continua a desempenhar um papel extraordinário na evolução da fotografia. Desde as melhorias na qualidade das imagens passando pela automação de tarefas de edição, a inteligência artificial está a tornar a fotografia cada vez mais acessível e criativa. É importante sim, usar estas ferramentas com responsabilidade, considerando as implicações acima mencionadas, de razão ética e de privacidade que as mesmas podem levantar.

É importante ainda destacar que a coexistência entre fotógrafos e a inteligência artificial, não necessita de ser vista como uma competição, mas sim como uma colaboração. Os fotógrafos podem aproveitar as capacidades desta tecnologia para aprimorar seu trabalho, melhorando tarefas e processos técnicos, permitindo assim mais tempo para a criatividade, como aliás já referido acima. A inteligência artificial por sua vez, beneficia também destas orientações humanas para também ela entender e representar emoções e contextos complexos nas imagens a “criar”.

Por fim, o “choque” entre fotógrafos e IA na fotografia, não é sobre quem vence mas sobre como essas duas forças, se podem unir para elevar a qualidade e a diversidade da arte fotográfica. A combinação de “skills” entre o fotógrafo e o uso da tecnologia de IA têm o potencial de elevar a fotografia a novos patamares de excelência e de criatividade. Assim espero, assim esperamos.

12 Abril, 2023 0 Comments

Perguntei ao ChatGPT…

Perguntei ao ChatGPT: Qual os pros e contras da objetiva nikkor z de 24-200mm ?

A Resposta:
“A objetiva Nikkor Z de 24-200mm é uma lente versátil que pode ser usada para fotografar uma ampla gama de assuntos, desde paisagens até retratos. Aqui estão alguns dos prós e contras desta lente: