1 Maio, 2026 0 Comments

Project Hail Mary: Livro e adaptação ao Cinema

Como fã assíduo de ficção científica, costumo iniciar a leitura de novos livros com natural curiosidade, mas também com algum ceticismo. No entanto, há histórias que nos prendem a atenção de forma imediata. “Project Hail Mary“, escrito por Andy Weir, foi uma dessas surpresas agradáveis. O autor, que já se tinha destacado com “O Marciano“, construiu aqui uma narrativa que combina suspense, uma dose equilibrada de humor e uma abordagem bastante fundamentada à ciência. A leitura cativou-me do início ao fim, mostrando uma história bem pensada sobre descoberta e cooperação.

 

A premissa central foi simples, mas muito eficaz. Acompanhamos Ryland Grace, o único sobrevivente de uma missão espacial de cujo sucesso depende a continuidade do nosso planeta. O obstáculo inicial é o facto de Ryland acordar a milhões de quilómetros de casa com uma profunda amnésia. Não sabe o seu nome, a sua profissão ou qual a verdadeira natureza da sua viagem. Com a companhia de apenas dois colegas de tripulação… falecidos, o protagonista tem de reconstruir a sua própria memória enquanto tenta desvendar como pode salvar a humanidade.

 

À medida que o seu passado regressa através de pequenos momentos de clareza, o personagem principal depara-se com um problema científico à escala global e com a dureza do isolamento no espaço. A evolução da história, especialmente quando o autor introduz novos elementos que nos fazem refletir sobre o nosso lugar no universo perante um desafio comum, torna a história difícil de largar. É um livro que vive da resolução lógica de problemas, algo que Weir sabe escrever e tornar acessível a quem não tem formação científica avançada, como é o meu caso.

 

Quando a adaptação cinematográfica foi anunciada, tive o habitual receio de quem gosta muito de um livro e teme ver a obra perder qualidade na passagem para o ecrã. Contudo, o filme cumpriu a promessa e não desiludiu. Realizado por Phil Lord e Christopher Miller, com argumento de Drew Goddard, a produção compreendeu a essência da história original e a ideia do autor. O resultado é um filme equilibrado, que respeita o material de origem sem perder a sua identidade enquanto obra de cinema.

 

A escolha do elenco revelou-se um dos pontos mais seguros da adaptação. Ryan Gosling assumiu o papel principal com bastante competência, conseguindo captar o pragmatismo e a vulnerabilidade que caracterizam Ryland Grace. É um desempenho sólido que, com naturalidade, vai na minha opinião, justificar a atenção e o facto de o filme poder vir a receber importantes prémios. Do lado técnico, o filme cumpre com rigor. O ambiente espacial ficou visualmente credível, enquanto a banda sonora acompanha de forma muito eficaz toda narrativa. No fundo, a adaptação de “Project Hail Mary” vai um pouco além da ficção científica tradicional. Acaba por ser um filme sobre a amizade, sobre a forma como lidamos com a solidão e sobre a coragem para fazer o que está certo em situações limite. Num panorama em que o cinema por vezes aposta em tons mais cínicos, esta história oferece uma perspetiva reconfortante, tratando-se de um trabalho de adaptação bastante competente.

 

Conseguir conjugar o lado técnico do livro de Andy Weir com a vertente humana das personagens foi um desafio considerável e conseguido. Na minha opinião, e olhando para os últimos anos do género de ficção científica, estamos perante o melhor e mais completo filme espacial desde o lançamento de “Interstellar“. É uma obra que faz justiça ao livro e que proporciona uma boa ida ao cinema. Fica a dica.

 

https://www.imdb.com/title/tt12042730 – Filme – Project Hail Mary

 

 

 

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7 Abril, 2026 0 Comments

A Nikon e a exploração espacial da NASA

A minha relação com a Nikon é bem mais recente que a relação da Nikon com a exploração espacial. A diferença é enorme aliás, mais de 40 anos na verdade. A relação da Nikon com a exploração espacial remonta aos primórdios das missões tripuladas. Mais, a escolha da Nikon pela NASA, quer para a Estação Espacial Internacional (ISS) quer, mais recentemente, para a histórica missão Artemis II à Lua por exemplo, é o resultado de décadas de confiança, inovação e de uma capacidade ímpar para construir equipamento que resiste às condições mais extremas conhecidas pela humanidade.

A parceria começou na década de 1960. A NASA procurava equipamento fotográfico portátil capaz de suportar o ambiente rigoroso do espaço. A Nikon, com a sua reputação crescente em fiabilidade, foi selecionada como fabricante de câmaras de 35mm. Um dos primeiros e maiores desafios foi a lubrificação. No vácuo e sujeita a flutuações extremas de temperatura, a maioria dos lubrificantes evapora ou congela. A Nikon desenvolveu um lubrificante específico que não sofria os efeitos da brusca mudança de temperatura, da rápida aceleração ou do vácuo, um detalhe crucial que exemplifica o porquê de as câmaras Nikon terem estado a bordo de todas as missões espaciais tripuladas desde então.

Na ISS, por exemplo, as câmaras Nikon têm sido ferramentas de trabalho indispensáveis. Modelos como a Nikon F5 (usada desde 1999), a D2XS, a D4 e a robusta D5 têm sido utilizados diariamente. Não servem apenas para capturar fotografias espetaculares do nosso planeta e do cosmos, mas desempenham um papel vital na monitorização da própria estação. Os astronautas utilizam-nas para realizar inspeções visuais detalhadas dos painéis solares e do exterior da ISS, identificando necessidades de manutenção essenciais para a segurança da tripulação. A capacidade dos sensores Full Frame (FX) da Nikon lidarem com contrastes extremos e condições de pouca luz tornou-as na escolha óbvia.

A missão Artemis II, que levou astronautas a orbitar a Lua pela primeira vez em mais de 50 anos, contou uma vez mais com tecnologia Nikon. A NASA decidiu incorporar um misto de equipamentos comprovados e de última geração para documentar esta viagem histórica.

Embora tenha havido debates iniciais sobre a inclusão das confiáveis e já certificadas Nikon D5 DSLR, conhecidas pela sua robustez e por não possuírem lubrificantes ou componentes que reajam no ambiente da nave, a escolha final para a vanguarda da fotografia lunar recaiu sobre a Nikon Z9. A Z9, a câmara mirrorless de topo da Nikon, foi alvo de um Acordo da Lei Espacial (Space Act Agreement) com a NASA para apoiar a missão.

Para enfrentar os rigores do espaço, a Z9 a bordo da cápsula Orion que conta com um total de 32 câmaras, foi especialmente adaptada. A câmara e as lentes NIKKOR Z selecionadas integram o “HULC” (Handheld Universal Lunar Camera), um sistema que inclui um revestimento térmico especial desenhado para as proteger das imensas oscilações térmicas e da radiação intensa no espaço.


Porquê a Nikon? A resposta reside numa palavra e que me enche de orgulho pois sou utilizador da marca. Fiabilidade inquestionável. Numa missão espacial, onde o custo do erro é incalculável e o espaço de armazenamento é valioso, o equipamento não pode falhar. A NASA não escolhe a máquina fotográfica apenas pela sua resolução, mas pela sua capacidade de operar de forma consistente, quer seja no interior pressurizado da cápsula Orion ou nas condições extremas do vazio espacial, como eventuais EVAs ou no uso externo. O histórico da Nikon na ISS provou, década após década, que as suas câmaras cumprem os exigentes requisitos de engenharia.

A missão Artemis II não testou apenas os limites da exploração humana, testou também a capacidade humana de partilhar a experiência visual da nossa viagem de volta à Lua. E para garantir que a humanidade tem o melhor lugar na primeira fila, a NASA confiou, mais uma vez, na engenharia óptica de precisão da Nikon.

 

Últimas Imagens vindas da Artemis 2 através das objetivas da Nikon: Créditos NASA:

 

 

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23 Fevereiro, 2016 0 Comments

Nuvem de poeira na Península Ibérica (Foto)

Fotografia a partir da Estação Espacial Internacional (ISS), é-nos presenteada pelo astronauta Tim Peake na sua conta de facebook.
Fantástica imagem da Península Ibérica em que esta mostra um rasto de poeira arrastada pelo vento vindo do Norte de África. A fotografia é do dia 21 de fevereiro.

 

poeira-pninsula-iberica-tim

28 Janeiro, 2016 0 Comments

Challenger, foi há 30 anos

Foi a 28 de janeiro de 1986, precisamente há 30 anos que o Vaivém Challenger deixava o Centro Espacial Kennedy. Apenas 73 segundos depois, incendiou-se e explodiu após uma falha na vedação de uma borracha de um dos dois foguetes de lançamento, causando a morte dos sete tripulantes a bordo.

O acidente expôs muitas fragilidades dos projectos que englobavam os 4 vaivéns espaciais que os EUA dispunham. Nessa altura, toda a frota da NASA descolava várias vezes por mês, sendo o único sistema de transporte espacial dos EUA.Ficam alguma imagens históricas e um vídeo da CNN, estação que se encontrava no local a fazer um directo do acontecimento.

Challenger 2

Momento da explosão captado por um vídeo amador ainda no formato Super 8

Challenger 3

Tripulação da Challenger onde se incluia a primeira mulher civil a participar numa missão espacial.

Vídeo da CNN

18 Janeiro, 2016 0 Comments

Cresceu a primeira flor no espaço

As imagem da zínia em flor foi publicada no facebook pelo astronauta Scott Kelly, durante o fim de semana. Depois de já terem sido semeadas com sucesso alfaces a bordo da Estação Espacial Internacional, há agora flores. São as primeiras da história a serem plantadas e criadas no espaço.

Zínia em flor a bordo da Estação Espacial

Zínia em flor a bordo da Estação Espacial

Para ver mais sobre este projecto da NASA clique aqui.

4 Dezembro, 2015 0 Comments

Portugal foi visto do Espaço

Foi no dia 2 de dezembro que Portugal foi visto do Espaço por Scott Kelly, Astronauta há 251 dias na Estação Espacial Internacional. O americano Scott Kelly e o russo Mikhail Kornienko “propuseram-se” a ficar no espaço durante um ano inteiro a fim de estudar os efeitos no corpo humano após uma permanência prolongada no espaço.

Escrevi há umas semanas sobre esta temática pode ler seguindo esta ligação. Quanto à imagem, a sua imponência é reveladora do quão pequenos somos. Já em 2014 a NASA tinha divulgado a fotografia que abaixo se segue e interessante parece ser o tipo de luz que se propaga em Portugal e em Espanha, sendo que em Espanha parece ser mais clara e em Portugal mais dourada.

Fonte: NASA