31 Dezembro, 2025 0 Comments

Cenário gelado, coração quente e alma renovada

Cenário gelado, coração quente e alma renovada.
Que este novo ano seja um quadro em tons de branco, mas pronto para ser pincelado com as cores mais vibrantes das vossas vidas! Que a pureza desta neve e o aconchego do inverno tragam serenidade e vos preparem para novos começos.
Feliz Ano Novo, são os votos do vosso amigo Jorge Nunes!
Santo António da Neve, Castanheira de Pera
dez/25

21 Novembro, 2025 0 Comments

O “Pontão” do Coentral em 1944

Coentral… há imagens que transcendem o simples registo visual. Há imagens que se tornam janelas capazes de nos transportar para um tempo que já não existe, devolvendo-nos, mesmo que por instantes, ao pulsar de um modo de vida perdido. Esta imagem de 1944 mostra-nos o encontro da Ribeira do Cavalete, também conhecida como Ribeira do Vale dos Lobos, com a Ribeira do Coentral. Captada numa época em que o quotidiano se moldava ao ritmo da terra, da água, do sol e das mãos humanas. Esta fotografia torna-se mais do que uma recordação, é uma peça emocional e histórica do património do Coentral e de Castanheira de Pera.

 

O “pontão”, situa-se entre o Coentral Grande e o Coentral “Pequeno”, o Coentral das Barreiras e o Coentral do Fojo. Para a escola primária, a pé, muita travessia sobre a ribeira nesta ponte. Nesta imagem, pelo seu enquadramento, é-nos revelado um cenário que, para muitos habitantes e descendentes, só existia em memórias contadas ou livros.

 

A década de 40 foi uma época de trabalho árduo. As famílias do Coentral, tal como de tantas aldeias serranas, viviam essencialmente da agricultura, da pastorícia e da força do seu próprio engenho. Os dias eram ditados pela necessidade de aproveitar ao máximo cada recurso. A água para mover os moinhos, as encostas para o pasto, as pedras para erguer abrigos, delimitar os terrenos e talvez os fojos. Não havia excessos, havia apenas o necessário. Mas havia, sobretudo, uma ligação profunda à paisagem, porque era dela que nascia tudo o que sustentava a vida no Coentral.

 

Nesta fotografia, essa ligação está impressa em cada detalhe. O caminho ainda em pedra, o pontão robusto construído também em pedra, ainda sem alcatrão, os muros que dividiam os campos, o pequeno moinho e a casa hoje reconstruída. Tudo isto compõe um retrato fiel da ruralidade serrana de então. São elementos que nos falam de uma forma de viver que dependia da proximidade, da entreajuda e do conhecimento transmitido de geração em geração.

 

Um dos aspectos mais marcantes desta imagem é precisamente aquilo que não está nela. O moinho em perfeitas condições, elemento que sublinha a pureza da paisagem original da época. Em 1944, a interação humana com o território era funcional. O que vemos nesta imagem é uma terra quase intocada, nem a pequena pedreira vemos na imagem. A intervenção humana limitava-se ao essencial, aos caminhos, muros, abrigos e pequenas estruturas de apoio ao trabalho agrícola e à circulação como a Selada do Cavalete.

Se hoje a existência da pequena pedreira faz parte da memória um pouco mais recente, esta fotografia recorda-nos que houve um tempo em que tudo era mais silencioso, mais orgânico e mais natural. E é justamente essa pureza que desperta em nós um sentimento nostálgico, mesmo para quem nunca viveu nesta época. É um apelo da autenticidade.

 

A casa que surge na fotografia, hoje está ainda íntegra e bem cuidada, é um símbolo de resiliência e de uma migração contemporânea. Representa o mesmo espírito de funcionalidade. Não eram construções pensadas para impressionar, mas para resistir ao clima e ao tempo, feitas em pedra local, integradas de forma harmoniosa na paisagem. Já os moinhos eram centros vitais da comunidade. Eram nos moinhos que os cereais se transformavam em farinha, e era também ali que as pessoas se encontravam, trocavam notícias, aguardavam a sua vez, partilhavam a vida. Ver o moinho ainda operacional em 1944 reforça a importância social que este espaço teve durante décadas. Hoje estão praticamente todos em ruínas. Mas há ainda uma presença silenciosa, a ruína na Selada do Cavalete, claramente visível na fotografia e hoje completamente desaparecida. Restam-lhe apenas sombras na memória coletiva.

 

O verdadeiro poder desta imagem reside na sua capacidade de nos permitir ver um local que já não existe aos nossos olhos de hoje. Esta imagem não só documenta uma paisagem, como preserva um fragmento inteiro de identidade cultural com mais de 80 anos. É uma âncora que liga o presente ao passado, uma oportunidade de contemplar, com profundidade, a evolução de uma comunidade e do seu território.

 

Há algo de profundamente humano na forma como percebemos fotografias antigas. É como se tocássemos o tempo, num tempo que alguém também o congelou. Esta imagem, captada numa era em que poucas pessoas tinham acesso a máquinas fotográficas, tem ainda mais valor precisamente por ser rara. Não foi tirada como um ato banal, mas sim como algo excecional. E, por isso, hoje tem a capacidade de nos emocionar, de nos fazer refletir e de nos devolver, mesmo que por alguns instantes, ao silêncio de uma época e ao ritmo lento de uma época.

 

Parabéns ao autor, Carvalho 1944

 

 

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“Musgo: O Pequeno Gigante dos Ecossistemas”
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18 Abril, 2025 0 Comments

A Sustentabilidade Hídrica em Castanheira de Pera

Falo uma vez mais em Sustentabilidade Hídrica. Num país onde a escassez de água e a poluição dos recursos hídricos tornaram-se preocupações do nosso dia-a-dia, Castanheira de Pera destaca-se como um exemplo notável de preservação ambiental. Em 2024, este município alcançou novamente a impressionante marca de 100% das suas massas de água classificadas com qualidade boa ou excelente, conforme divulgado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Este feito é ainda mais relevante considerando que, no mesmo período, 39 concelhos portugueses enfrentaram sérias dificuldades devido à degradação da qualidade das suas águas.

 

Situada na região centro de Portugal, no sopé Sul da Serra da Lousã, é em Castanheira de Pera que “nascem” verdadeiros tesouros naturais. A Ribeira de Pera, por exemplo, é o resultado do que eu chamo do “nosso Vale Glaciar” que começa na Selada de Pera e depois vem serpenteando pela paisagem, alimentando zonas como o Parque de Merendas da Fonte das Bicas no Coentral, como a Ponte de Pedra nas Sarnadas, o espelho de água do Pisão, a Praia Fluvial do Poço Corga,  a Praia das Rocas a maior Praia com ondas da Península Ibérica e todos os açudes ao longo da Ribeira. Estes locais não são apenas zonas de lazer, são testemunhos vivos da harmonia entre a comunidade local e o meio ambiente.

 

A biodiversidade desta zona é igualmente particular, já o escrevi várias vezes e na verdade não me canso de o fazer. Por um lado, por questões factuais e, por outro, para ter sempre este tema na “ordem do dia” e todos dos mais novos aos mais velhos nos irmos lembrando da importância deste assunto. Voltando à biodiversidade, as margens dos afluentes da Ribeira de Pera e da própria Ribeira de Pera, vão abrigando uma variedade de espécies de flora e fauna, criando assim ecossistemas ricos e equilibrados. É este equilíbrio ecológico que é fundamental não apenas para a saúde ambiental, mas também para o bem-estar da população que depende destes recursos para atividades como agricultura, turismo e lazer.

 

Qualidade de Massas de Água em Portugal 2024

Qualidade-de-massas-de-agua.xls
Quadro extraído em 17 de Abril de 2025 / http://www.ine.pt

 

A presença de praias fluviais bem conservadas, de Percursos Pedestres, passando pelo Passadiço das Quelhas que, atrai visitantes de diversas partes do país, são experiências únicas de contacto com esta natureza, promovendo o turismo sustentável junto tanto de escolas como de outras associações e mesmo municípios. Só assim se vai reforçando a importância da conservação ambiental,  conciliando o desenvolvimento económico com a preservação ambiental desde que haja vontade política, envolvimento comunitário e estratégias bem delineadas.​ A manutenção das zonas ripícolas, a vigilância contra fontes de poluição e o incentivo à educação ambiental são práticas enraizadas e visíveis TODO O ANO.

 

Em tempos de mudanças climáticas aceleradas, podemos por exemplo na cada vez menor queda de neve que vamos assistindo ano após ano, onde assim os desafios ambientais são crescentes. Histórias como a de Castanheira de Pera são fonte de inspiração, mostram-nos que, com compromisso e ação coordenada, é possível proteger os recursos naturais e garantir um futuro sustentável para as próximas gerações.

 

 

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“Serra da Lousã: Um Instante de Natureza e Biodiversidade”
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“Salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica)”
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“Musgo: O Pequeno Gigante dos Ecossistemas”
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15 Fevereiro, 2025 0 Comments

Salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica)

Obtive esta imagem da salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica), um anfíbio endémico que se distribui ao longo do noroeste da Península Ibérica, presente portanto, em Portugal e Espanha, neste mês de fevereiro na Ribeira de Pera, em Castanheira de Pera.

Distribuição atual da Salamandra-lusitânica – Wikipedia

 

Sobre esta espécie, podemos destaca-la pela sua cauda longa, o que em adultos pode corresponder a dois terços do comprimento total do corpo. A pele da salamandra-lusitânica é brilhante, apresentando duas linhas dorsais de tonalidade dourada ou cobre que se unem numa única linha ao longo da cauda. Um facto interessante, é que quando se sente ameaçada, esta consegue soltar a cauda, e posteriormente regenera-la. É o único salamandrídeo ibérico com esta capacidade extraordinária.

A salamandra-lusitânica habita em regiões com precipitação superior a 1000 mm e em locais até cerca dos 1400 metros de altitude. Ocupa preferencialmente áreas com vegetação abundante e com elevada humidade, geralmente nas proximidades de ribeiras e cursos de água. A Ribeira de Pera, localizada na Serra da Lousã (Castanheira de Pera), oferece assim o habitat ideal para esta espécie. Sobre a Ribeira de Pera, esta é caracterizada por linhas de água profundamente encaixadas e vegetação ripícola bem conservada, o que faz com que estas formem condições essenciais para a reprodução da salamandra-lusitânica, reprodução que ocorre entre maio e novembro. Durante este período, a fêmea deposita cerca de 15 ovos em locais protegidos e húmidos, como por baixo de pedras ligeiramente submersas, o que era o caso nesta fotografia, ou em concavidades nas margens dos ribeiros.

Indo ao encontro das ameaças, a salamandra-lusitânica enfrenta um risco e uma luta pela sua sobrevivência. A destruição e alteração dos seus habitats naturais, a poluição dos cursos de água e os incêndios florestais são todos eles fatores que contribuem para um declínio das populações desta espécie. Resultado destas pressões, a salamandra-lusitânica está classificada como “vulnerável” no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, o que reforça assim a necessidade de implementar medidas de conservação e proteção dos seus habitats naturais.

Com esta observação na Ribeira de Pera, queria destacar uma vez mais este ecossistema ribeirinho, resultado também ele de um trabalho que vai colhendo frutos e assim garantindo a continuidade não apenas destas espécies endémicas, como também na manutenção de toda uma biodiversidade local.

 

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“Galerias Ripícolas: Guardiãs da Biodiversidade Hídrica”
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“Musgo: O Pequeno Gigante dos Ecossistemas”
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30 Março, 2024 1 Comment

Queda de neve em Santo António da Neve *Puro Som

Nas profundezas da bela região de Castanheira de Pera, Portugal, um lugar de imensa serenidade e encanto aguarda os visitantes: Falamos do Santo António da Neve em Cabeço do Pereiro, um refúgio montanhoso de incomparável beleza natural e significado histórico. Situado nas imponentes elevações do Coentral, este local oferece uma experiência única, fundindo a tranquilidade da natureza com a rica herança cultural da região.

A jornada até ao Santo António da Neve é uma viagem através de paisagens deslumbrantes, envoltas pela vegetação exuberante da vertente sul da Serra do Coentral / Lousã. Na chegada, os visitantes são recebidos por uma atmosfera de calma e serenidade, onde o ar fresco da montanha e o silêncio apenas quebrado pelo suave murmúrio do vento criam um ambiente verdadeiramente revigorante.

A história deste local remonta a séculos atrás, quando foi construída a Capela de Santo António da Neve, no século XVI. Esta capela pitoresca, erguida sobre as rochas, é um testemunho da devoção religiosa e das habilidades arquitectónicas da época. Os peregrinos visitam esta capela a cada domingo após o dia 13 de junho, dia de Santo António em Lisboa.

Além da sua importância religiosa, Santo António da Neve também desempenhou um papel vital na história da região como um refúgio para aqueles que procuravam abrigo durante períodos de conflito e instabilidade. A sua localização remota e defensável oferecia proteção contra invasões e incursões, tornando-se um ponto de apoio crucial para as comunidades locais. Exemplo das invasões francesas.

Nos dias de hoje, o Santo António da Neve continua a atrair visitantes de muitos locais, seja pela sua beleza natural intocada, pelas trilhos desafiadores, agora com a recente criada Rota dos Neveiros, que serpenteia pela montanha, ou pela oportunidade de conexão com a história e a cultura. Aqueles que exploram este local único podem desfrutar de caminhadas revigorantes através de florestas exuberantes, descobrindo a diversidade da flora e fauna que prospera em tudo o que rodeia este local.

À medida que o sol se põe sobre estas paisagens deslumbrantes, quem visita este pico montanhoso no centro de Portugal, têm a oportunidade de testemunhar um espetáculo verdadeiramente inesquecível: o céu noturno pontilhado de estrelas cintilantes, sem a interferência da poluição luminosa das cidades. Esta visão mágica, combinada com a tranquilidade da noite, cria um ambiente de contemplação e admiração que permanece gravado na memória dos que o testemunham.

Fotografia de Miguel Marques – Visitem o seu trabalho em https://miguelmarquesphotography.com/

Para aqueles que procuram escapar do frenesi da vida moderna e se reconectar com a natureza e com a história, o Santo António da Neve oferece uma experiência verdadeiramente enriquecedora e transformadora.

Dos locais a visitar pelo menos uma vez na vida!

 

31 Dezembro, 2022 0 Comments

Oferta Bom Ano 2023 – wallpaper

Mesmo a chegar ao novo ano, faço-vos os votos de um bom ano de 2023 com muita saúde e com ainda mais concretizações profissionais e pessoais.

FELIZ ANO NOVO!

 

Dados técnicos da fotografia:
Abertura: 11
Velocidade: 30seg
ISO: 50
Flash: Sim
Distância Focal: 24mm

 

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12 Fevereiro, 2022 0 Comments

Floresta invernal é a oferta do mês de janeiro

É neste inverno atípico que estamos a atravessar, um inverno sem chuva e ameno que surge esta imagem. “Floresta invernal” numa opinião muito pessoal, transmite a magia do inverno. Árvores despidas de folhas perante uma tonalidade vermelha e alaranjada assim como um misto de verde pinho e relva de serrania.

Este, é por si só um lugar a visitar. É um dos vários lugares mágicos da Serra da Lousã situado em Castanheira de Pera.

 

Dados técnicos da fotografia:
Abertura: 7.1
Velocidade: 1/100
ISO: 100
Flash: Não
Data: 20 de janeiro

 

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Tudo de bom, saúde e até ao próximo mês,
Jorge Nunes!

10 Janeiro, 2022 0 Comments

Dois caminhos – Oferta do mês de dezembro

Dois Caminhos é uma imagem do início do mês de dezembro do ano que acabou de passar. É sobre um espaço “em construção”, um espaço em “crescimento”.

14 Março, 2021 0 Comments

OFERTA de Wallpaper | março 2021

É neste mês que chega a primavera. Assim a oferta de wallpaper de março, transporta-nos para as cores primaveris da Urze, também chamada por torga. É também a cerca de 800 metros de altitude, numa zona conhecida por “Mirante” em Castanheira de Pera, que encontramos este autêntico jardim de Urze.

Falando da Urze, é através desta flor característica que é também conhecido o Mel de Urze da Serra da Lousã, com Denominação de Origem Protegida (DOP).
O uso medicinal da urze também é importante. Esta planta tem uma longa história de uso medicinal na medicina popular em Portugal. A presença de algumas substâncias, favorecem a redução de produção de secreções, aliviando assim a irritação. A urze é então muito útil para combater as constipações e tosse por exemplo. Se queres saber mais sobre o assunto, abre este link.

Regressando à fotografia e ao propósito da mesma, podes e deves usar como fundo do Ambiente de Trabalho, tanto em ambientes desktop como em tablets ou smartphones. A fotografia é livre e não tem qualquer marca d’água.

 

Relembro que quem subscreveu e se encontra na minha rede de contactos, já recebeu esta fotografia. Se ainda não pertences à minha rede de contactos e queres receber esta e as próximas imagens gratuitas, apenas tens de subscrever a minha newsletter aqui!

 

Aguardo o teu contacto!

Até já,
Jorge!

10 Fevereiro, 2021 0 Comments

Um olhar sobre o Poço Corga

Na verdade este não será apenas um olhar sobre o Poço Corga, mas sim dois olhares sobre este local de inegável valor natural. Em primeiro lugar vamos…